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No Dia Mundial da Criança fervilham iniciativas em creches, escolas, instituições de saúde a elas dedicadas. Iniciativas aproveitadas partidariamente, ou não estivéssemos em plena campanha eleitoral, a primeira das três deste ano. O Governo segue a onda e volta a anunciar o reforço da construção de creches, antecipando a ultrapassagem em 2010 da meta europeia de cobertura de jardins de infância (33% do total) para 35%. Mas, neste dia, o que mais importa é olharmos para trás e vermos, com merecido orgulho colectivo, o caminho percorrido: em 1979, com uma população bem menor do que a actual, morriam neste país 8000 crianças antes de cumprirem um ano de vida; hoje, morrem 320.
A nossa taxa de mortalidade infantil está na linha da frente de toda a humanidade, feito notável conseguido com dedicação, trabalho e saber, sob a orientação política de governos das mais diversas cores. Por vezes, avançando contra ondas de incompreensão e protesto popular, que não se justificavam. Basta lembrar a acção neste campo de Leonor Beleza e de Correia de Campos.
Por estas e outras, Portugal figura num honroso 9.º lugar, entre as duas centenas de países do mundo, nos cuidados propiciados às suas crianças. Uma portuguesa, Marta Santos Pais, é a representante especial do secretário-geral da ONU para a violência contra as crianças à escala mundial. E aqueles que fizeram o 25 de Abril já falam do legado que vão deixar aos seus netos.
Trata-se, pois, de um dos maiores saltos civilizacionais da democracia portuguesa.
Debate europeu e política interna
Quanta Europa tem havido no debate da primeira semana de campanha das eleições para o Parlamento Europeu? A resposta varia entre o pouco e o muito pouco. Intervalo estreito, este. Na verdade, poucos dos grandes temas europeus que, há um semestre ainda, estavam na agenda corrente dominaram o discurso político dos candidatos e dos dirigentes partidários.
Pressionados pela conjuntura e pelas preocupações dos cidadãos, em Portugal como na Europa, os candidatos têm sido forçados a discutir crise e emprego. Todos estão prisioneiros desta realidade. A tentação das oposições em cavalgar estes temas é, deste modo, irresistível e inevitável - como o seria a fuga deles pela parte do partido no poder, se a conjuntura o permitisse. Mas não o permite. Não apenas porque o quotidiano dos cidadãos (europeus) é dominado pela ansiedade face a um futuro sombrio. Mas porque a política interna seria, sempre, território de eleição das oposições - algo de recorrente na Europa dos 27.
Sócrates manifestou ter entendido isso, mesmo se a contragosto, quando aceitou que o Governo estaria em "avaliação" nestas europeias, "mas também" a oposição. Poucas vezes, como desta, as manifestações sociais, os descontentamentos e os escândalos (os que o são e os artificialmente construídos) vão funcionar como óbvias alavancas eleitorais. E constituir armas de arremesso.
Se algo nos diz esta primeira semana de campanha, é que tudo está em aberto. Nomeadamente quando as sondagens revelam que os avanços e recuos dos diversos partidos terão como pano de fundo determinante uma muito provável e problemática alta taxa de abstenção.
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