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Editorial

Processo de Bolonha tem de ir além dos números

 

Portugal está a falhar a reforma do ensino superior imposto pelo chamado Processo de Bolonha. O alarmante alerta é feito por vários professores universitários ouvidos nesta edição pelo DN. A confirmar-se o cenário que descrevem, será uma oportunidade perdida. Mais do que isso, será um falhanço prolongado no tempo, pois terá profundas consequências naquilo que o País poderá ser no futuro.

Se é nas escolas primárias que se começam a formar os cidadãos do futuro - homens, mulheres, pais, mães, profissionais -, é nas universidades que estes são preparados para, mais tarde, assumirem as rédeas do País. Pouco importa se o fará no papel de primeiro-ministro, de empresário empreendedor ou de funcionário aplicado. O que define o valor da sua contribuição para o bem comum, o País, é o nível de exigência para o qual foi ensinado e que adaptou para si próprio.

Não é ao acaso que os países mais desenvolvidos têm universidades fortes e que os mais atrasados nesta evolução aceleram sempre que conseguem consolidar uma boa rede de formação académica.

Por tudo isto, é fundamental que o grupo de peritos encarregue de avaliar as instituições até Julho seja rigorosíssimo no seu parecer sobre o verdadeiro valor da taxa de 98% de adaptação a Bolonha que os nossos cursos apresentaram no arranque deste ano lectivo.

Porque se esta renovação for meramente plástica, como nos dizem, dentro de uns anos perceberemos que não só estagnámos como fomos ultrapassados por outros.

A importância dos consensos

Vale a pena um país manter-se agarrado a valores considerados nucleares? A resposta só pode ser positiva. E é salutar que esses valores sejam alvo de um amplo consenso social e político. Veja-se o caso do Reino Unido, onde conservadores e trabalhistas se alternam no poder, sempre com propostas bem diferenciadas nos mais diversos domínios. Isto não invalida que um tema como a soberania britânica no arquipélago das Falkland - também conhecidas por Malvinas - funcione como traço de união a nível nacional, sem intermitências de qualquer espécie, como ficou bem patente na recusa, ontem assumida pelo primeiro-ministro Gordon Brown, de discutir o assunto com a Presidente da Argentina, Cristina Kirchner. Mantém-se assim na linha de Margaret Thatcher, que reconquistou o arquipélago aos militares argentinos na guerra-relâmpago de 1982. Thatcher e Brown pertencem a campos políticos opostos: ela é uma histórica dirigente conservadora, ele é um político trabalhista. Mas nesta matéria existe uma clara linha de continuidade de Governo para Governo em Londres. Um exemplo que bem merece ser meditado em Portugal, onde cada Executivo que surge no horizonte se preocupa antes de mais em apagar todos os vestígios do passado.


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6 Comentários


Odegaard

30 Mar 2009, às 14:48 - Portugal - Lisboa

São fantásticos os argumentos dos subscritores de um Acordo (como outros, feitos nas «costas» dos cidadãos europeus): o Acordo é bom porque é contra o laxismo, a preguiça, e porque «agiliza»! Enfim, foi feito contra os «Maus», por assim dizer. Só que nós, cidadãos europeus, já começamos a perceber como os dirigentes europeus decidem pelo nosso Bem. Fico estarrecido. C. Odegaard


Guilherme Pereira

30 Mar 2009, às 11:01 - Portugal - Lisboa

O Acordo de Bolonha, que subscrevo, foi sempre boicotado por muitos professores do superior, acolitados pelas máquinas sindicais, porque agiliza cursos e impõe métodos incompatíveis com o laxismo, leia-se combate ao absentismo e à preguiça intelectual. Espero que Mariano Gago esteja atento à situação. Portugal subscreveu o acordo, tal como o fizeram dezenas de outros países.


Odegaard

30 Mar 2009, às 10:47 - Portugal - Lisboa

Gostava, por favor, de saber quais são os nossos «valores considerados nucleares». Ou quem os determina. Serão os valores de quem os determina e emanados do mais que esgotado Partido PS/PSD? C. Odegaard


Guilherme Pereira

30 Mar 2009, às 10:44 - Portugal - Lisboa

O Acordo de Bolonha, que subscrevo, foi sempre boicotado por muitos professores do superior, acolitados pelas máquinas sindicais, porque agiliza cursos e impõe métodos incompatíveis com o laxismo, leia-se combate ao absentismo e à preguiça intelectual. Espero que Mariano Gago esteja atento à situação. Portugal subscreveu o acordo, tal como o fizeram dezenas de outros países.


Hernani Amaral Xavier

30 Mar 2009, às 00:01 - Portugal - Lisboa

Parabéns pelo v. artigo sobre o Processo de Bolonha. Pela forma como cá se fazem Mestrados, apresentei já três requerimentos ao Ministério do Ensino Superior. Se estiverem interessados, posso fornecer-vos o Processo que iniciei. Faz falta as pessoas lerem a célebre carta de Bruxelas do Infante D. Pedro, 1435. Só tem mudado as moscas, e mesmo estas mantêm-se ferozmente agarradas à gamela. Hern


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29 Mar 2009, às 22:49 - Portugal - Porto

Este país é uma fraude, todo cheio de "Magalhães", de "Simplex", com os meninos a escreverem inanidades em "ardósias electrónicas" (que não existem nas escolas suecas, finlandesas, dinamarquesas, holandesas, francesas, suíças,etc), com os ministros ansiosos por mandarem os estudantes em longos "Erasmus" para Espanha e em introduzirem a língua castelhana no currículo das nossas escolas. Patético...


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