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Violência xenófoba deixa Joanesburgo a ferro e fogo

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SEAN RITCHIE, em Joanesburgo  

Violência xenófoba deixa Joanesburgo a ferro e fogo

Imigrantes do Zimbabwe e de Moçambique são os principais alvos

As pernas em sangue, as costas marcadas com queimaduras, um jovem é deixado sem delicadeza numa maca após mais uma noite de ataques xenófobos nos bairros pobres de Joanesburgo, a cidade do ouro sul-africana. Com os olhos cheios de lágrimas, ele estremece, tenta mexer-se, mas um polícia consegue acalmá-lo dizendo-lhe que está agora fora de perigo, ao abrigo da multidão em fúria que o atacou.

"Ele estava a passar na sua bicicleta, quando as pessoas o apanharam", testemunha um dos habitantes de Reiger Park, demasiado horrorizado para dar o seu nome. "Ele ficou lá, caído no chão, durante muito tempo." O jovem, em estado de choque, é uma das dezenas de vítimas da violência. Segundo um balanço da polícia, pelo menos 22 pessoas foram mortas em Joanesburgo e nos arredores, na última semana. Várias centenas ficaram feridas ou foram despojadas dos seus poucos bens e viram os seus casebres destruídos.

Estas violências xenófobas espalharam-se pelos antigos guetos negros e o centro de má fama de Joanesburgo. As primeiras páginas dos jornais de ontem mostravam a foto de um homem transformado em tocha humana, ilustrando o ódio que alimenta as agressões.

Poucos habitantes dos bairros pobres estavam dispostos a falar aos jornalistas. Uma mulher de Reiger Park não hesitou contudo em lançar as culpas sob os zimbabweanos - três milhões refugiaram-se na África do Sul, fugindo da crise político-económica do seu país. "Tudo isto é culpa dos zimbabweanos. É preciso que eles se vão embora", afirma, dizendo que se chama Noxolo.

Os imigrantes são muitas vezes acusados de usurpar os empregos, num país em que quatro em cada dez pessoas estão no desemprego e onde a miséria atinge 43% de uma população confrontada com um nível de criminalidade recorde: cerca de 50 mortes por dia.

Joanesburgo, capital financeira e a maior cidade da primeira potência económica de África, não pára de atrair migrantes de todo o continente desde a corrida ao ouro, no século XIX. Imigrantes do Zimbabwe, mas também Moçambique, Nigéria, Malawi e Congo provocaram uma explosão demográfica, numa altura em que o Governo luta para cumprir as promessas de melhores condições de vida e habitação decente para todos.

Mas se os imigrante são o alvo privilegiado dos ataques, os sul-africanos também foram apanhados na espiral de violência. Nos bairros pobres, como Reiger Park, onde ainda há casas a arder e barricadas nas ruas, a polícia é muitas vezes recebida com pedras. Jornalista da AFP


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