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Radicais islâmicos tentaram recrutar em Portugal

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DIANA MENDES  

Um grupo de muçulmanos que preparava acções violentas esteve de passagem por Portugal, com o objectivo de recrutar jovens da comunidade nacional para a jihad (vulgarmente designada guerra santa). A revelação foi feita ontem pelo xeque David Munir, durante um debate no Rádio Clube Português. O grupo esteve no País há alguns anos, mas "não teve sucesso, tendo sido rejeitado pela comunidade", revelou. O sentimento de integração no País foi a principal razão apontada para o facto de estas acções não terem tido eco.

O vice-presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), José Manuel Anes, também presente no debate, disse ao DN que, de facto, "houve um grupo que estava a preparar atentados que passou em território nacional há uns anos. Eventualmente era composto por indivíduos de uma ou duas proveniências, indo-paquistaneses ou do Magrebe, e que podem ter passado por Inglaterra".

O líder espiritual da comunidade islâmica de Lisboa, David Munir, realçou no debate que "é preciso tentar travar esse recrutamento. Aqui não tiveram sucesso, por isso, para eles, Portugal não é ideal e passou para segundo plano". A questão da integração foi um elemento que contribuiu para a segurança: "Nenhum muçulmano que aqui viva tem interesse em destruir parte da sua casa. Sentem que são cidadãos como outros", garante Munir.

O recrutamento de indivíduos e posterior rejeição pela comunidade levou-os a ir embora do País", diz José Manuel Anes, acrescentando que o grupo tinha a intenção de desenvolver acções no território.

Esta reacção da comunidade é, para os dois especialistas, mais uma garantia de que o perigo só pode vir de fora. "Os muçulmanos que vieram para Portugal ou que nasceram aqui são tranquilos. Nunca cometeram ou irão cometer qualquer tipo de agressividade, diz o Imã. O único risco "teria de vir do exterior, de Marrocos, Argélia e até de Espanha", acrescenta o professor Anes. A cooperação entre serviços de informação de vários países e a inexistência de sinais de alarme levam José Manuel Anes a considerar que tudo está controlado.

Em Portugal, a integração da comunidade distingue-se de muitos países, apesar de ainda haver muito a fazer, especialmente em relação à elevada ignorância que subsiste em relação à cultura e religião desta comunidade. "Quando as pessoas não conhecem algo têm medo", diz o vice-presidente do OSCOT.

Os dois especialistas convidam os portugueses a reflectir se o facto de um muçulmano viver na Europa, ou em Portuigal, mais precisamente, o torna ou não europeu ou português. "Os muçulmanos que vivem cá são tão portugueses como os outros, mas nota-se que ainda enfrentam barreiras relacionadas com o preconceito e a marginalização", diz David Munir.

A aproximação entre comunidades é expressa no convívio em instituições como a escola islâmica de Palmela ou a mesquita de Lisboa. "Em certos países não deixam entrar não-muçulmanos, porque não são puros ou crentes. Desde que haja respeito, são todos bem vindos. Não há nada a esconder", refere David Munir. |


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