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APEL desmente acordo anunciado pela Câmara Municipal de Lisboa

 

Versões contraditórias surgiram ontem, a propósito do acordo firmado entre os três principais intervenientes da feira do livro - a organizadora Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), a concorrente União de Editores Portugueses (UEP) e a Câmara Municipal de Lisboa, que patrocina o certame - na sexta-feira à noite, após seis horas de reunião, com os protagonistas a remeterem para segunda-feira a assinatura do documento e o anúncio de uma nova data para início da Feira.

Em declarações à Lusa, Carlos Veiga Ferreira, da UEP, disse que "o grupo LeYa pode instalar pavilhões diferentes dos tradicionais", de acordo com a decisão tomada na noite de sexta-feira, na reunião onde participaram a CML, UEP e APEL, que estavam em desacordo quanto à 78ª edição da Feira. No centro da polémica estava a recusa da APEL em autorizar pavilhões diferentes para do LeYa, o maior grupo editorial português, que integra editoras como a Dom Quixote e a Caminho. Uma contenda que levou a autarquia a suspender a montagem dos pavilhões e a adiar a abertura do certame, inicialmente prevista para quarta-feira .

Apesar do comunicado, a APEL recusa que o acordo esteja firmado: "As negociações começaram sexta-feira e estão a decorrer. Não há nenhuma decisão tomada", afirmou Alexandra Melo, assessora da APEL.

Mas Carlos Veiga Ferreira diz que a APEL falta à verdade: "Isso é mentira. Houve acordo sim, no sentido de permitir os pavilhões diferenciados. Falta apenas assinar esse compromisso, o que está marcado para segunda-feira". Um acordo em que a UEP, para conseguir resposta às ambições do grupo LeYa, se terá comprometido a entregar à APEL a organização das duas próximas edições da Feira.

Quanto à data de abertura, a UEP diz que está "ainda pendente" e que depende de "pormenores técnicos". "Mas espero que sexta-feira já seja possível" abrir a feira, adiantou Carlos Veiga Ferreira. O acordo entre a UEP e APEL foi anunciado sexta-feira à noite, num comunicado conjunto divulgado pela CML.

Uma das questões em análise foi o subsídio de 200 mil euros prometido pela CML para a organização do evento, a cargo da APEL. Mas esta requereu à autarquia a declaração de interesse público para o certame, remetendo para a LeYa qualquer responsabilidade pela ausência de escritores editados pelo grupo, como José Saramago, Lobo Antunes, Mário de Carvalho ou Lídia Jorge.

Apesar de notícias sobre o início da instalação dos pavilhões do LeYa durante o dia de ontem, até ao final da tarde não se tinha registado qualquer iniciativa no recinto onde já estão dispostos os stands coloridos da APEL. |- L.F. com Lusa


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