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Caloira diz ter sido violada por colega no 'Enterro da Gata'

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SUSANA PINHEIRO, Braga  

Uma caloira, de 18 anos, de Engenharia Biomédica da Universidade do Minho (UM), em Braga, acusa um colega de curso, de 25, de a ter violado na madrugada do passado dia 12. O crime terá ocorrido no recinto das festividades do "Enterro da Gata", naquela cidade. A estudante, que quer manter o anonimato para não se expor publicamente, apresentou queixa na PSP da Póvoa de Varzim, onde reside. O DN confirmou a denúncia junto do Comando do Porto, que segue agora para o Ministério Público.

A aluna contou ao DN que nada fazia prever o "pesadelo que viveu naquela noite", no recinto das festas dos estudantes, na alameda do estádio. Maria, chamemos-lhe assim, estava com uns amigos numa das barracas de bebidas quando, por volta das 04.30, o suspeito da violação, namorado de uma sua amiga, a abordou. "Ele agarrou-me e puxou-me à força, porque até é um pouco bruto. Eu já estava um pouco alcoolizada e ele aproveitou-se disso."

Na altura, Maria pensava que o conhecido a puxava para junto de outros amigos noutra barraca mais à frente - são mais de 40 as existentes no recinto. Mas estaria longe de imaginar o que se seguiria. E o que se seguiu, diz, "foi mesmo horrível". Ainda incrédula, conta: "Só me apercebi do perigo, quando ele me atirou para dentro de uma tenda escura." Sobretudo porque, frisa, "já o conheço desde o início do ano e confiava nele". Além disso, acrescenta, existe o respeito por ser "cardeal" - tem, no mínimo, seis matrículas. "Ele estava a tentar que fosse a bem, mas tentei persuadi-lo do contrário, lembrando-lhe da namorada."

Mas o suspeito reagiu de forma agressiva: "Batia-me e atirava-me contra a parede." Sempre que Maria tentava gritar, o comportamento "violento repetia-se" e quase que não se conseguia defender. Ainda ripostou, arranhando-o, segundo afirma, mas em vão porque "ele é muito grande e tem muita força". Aliás, diz: "Não estava a acreditar no que me estava a acontecer: ele abriu o meu corsário à força. Tirou-me a roupa e mandava-me calar."

Hoje, a aluna, que não quer voltar para a universidade, olha com tristeza para "as nódoas negras nos braços e nos seios, e as costas arranhadas". Diz que estas lesões foram fotografadas no Instituto de Medicina Legal do Porto, para investigação no MP.

Depois de o suspeito a abandonar, Maria acabou por se cruzar com os colegas no recinto, mas não lhes contou. Diz que tentou arranjar a roupa e que até pensaram que "chorava porque estava bêbeda". Deitou-se e quando acordou, ainda era segunda--feira, recorda, foi "com o corpo todo dorido" para a Póvoa de Varzim. Mas só na terça-feira foi ao hospital e apresentou queixa na PSP local.

A mãe da aluna não quer o suspeito fique impune: "Tirou o sorriso da minha filha. Está envergonhada e não fez nada de mal." A UM já disponibilizou psicóloga. Contactada pelo DN, a reitoria confirmou ter sido informada pela mãe da aluna sobre o caso e disponibiliza-se para prestar todo o apoio.|


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