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Jardim anuncia hoje que não é candidato à liderança do PSD

por

LÍLIA BERNARDES, Funchal

LIONEL BALTEIRO-ARQUIVO DN  

Alberto João Jardim vai anunciar hoje à tarde que não concorre à liderança do PSD nacional, apurou o DN junto de fonte social-democrata. Depois de muitos avanços e recuos, o tabu promete chegar ao fim. Antes de partir para Londres, o líder regional prometeu que faria uma declaração pública antes do dia 15 deste mês e assim acontecerá. Até porque as sondagens que encomendou não lhe são nada favoráveis. Ou seja, Jardim não arrisca nada quando o desfecho surge no horizonte com uma linha de derrota.

Um cenário que Jardim assumiu desde início, ao admitir que não iria meter-se em "histórias" para perder. Ao longo destas últimas semanas, todos os indícios conduziam a este desfecho. Primeiro, porque Jardim perdeu a oportunidade de se lançar no Conselho Nacional, preferindo recuar após ter-se reunido com Pedro Santana Lopes. Mesmo assim, manteve o suspense. Na Madeira, iniciou uma recolha de assinaturas para o que desse e viesse. Entretanto, apelou à desistência das candidaturas, tentando criar um movimento de consenso em torno do seu nome e contra a candidatura de Manuela Ferreira Leite, figura que desde o primeiro dia considerou "incapaz" de ganhar a José Sócrates numa disputa eleitoral. Jardim criticou a "balcanização" do partido, chegando ao ponto de dizer que não estava disposto a lançar-se nesta aventura. Pelo meio, ofereceu os seus deputados do PSD/Madeira na Assembleia da República para viabilizar um governo do PS, caso José Sócrates não atinja a maioria absoluta em 2009.

Somando tudo isto, Jardim foi colocando-se de fora do processo. Em todas as suas intervenções, o líder madeirense tem vindo a dizer que não quer saber "para nada" do que se passa nos meandros dos sociais-democratas nacionais onde "ninguém se entende", de tal forma que não se tornou ameaça para ninguém. Jardim já disse que não reconhece os resultados se quem vencer não atingir 50%, mas pode recuar. Entretanto, voltou a dizer que o seu voto ia para Santana Lopes, mas o partido na Madeira não irá tomar qualquer posição oficial sobre nenhuma das cinco candidaturas, dando assim liberdade aos militantes para escolherem "em consciência". Quem quiser tornar pública a sua preferência, fá-lo-á em termos individuais. Uma coisa é certa. Alguém baralhou o timing do líder madeirense que projectava "o salto" para o primeiro trimestre do próximo ano, altura que Luís Filipe Menezes seria sujeito ao exame, tal como o líder madeirense fez questão de referir no congresso que elegeu o líder demissionário.|


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