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CGTP admite greve e UGT quer baixa do IRS

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EVA CABRAL e SUSETE FRANCISCO  

"A luta é necessária e nós vamos ser capazes de lhe dar uma enorme dimensão." O líder da CGTP, Carvalho da Silva, encerrou ontem com um aviso ao Governo o desfile do 1º de Maio da Intersindical. Mas ainda sem concretizar, deixando todos os cenários em aberto - recurso à greve inclusive. "Não excluímos qualquer forma de luta possível, optaremos pelas que se mostrem necessárias e mais eficazes para defender os direitos de todos os trabalhadores", afirmou Carvalho da Silva, que remeteu depois para o Conselho Nacional (que reúne na próxima terça-feira) uma decisão mais concreta.

Foram os últimos minutos de um discurso de 45 - o tempo restante foi ocupado com as razões para a intensificação dos protestos da CGTP. A começar pela proposta do Governo - "injusta e violenta" - para a revisão do Código Laboral. "Não" é a resposta de Carvalho da Silva: "Não aceitamos despedimentos por causas subjectivas"; "não pode haver imposição administrativa" da caducidade dos contratos colectivos"; "os falsos recibos verdes não podem ser legalizados, têm que ser criminalizados". O líder da CGTP lembrou também que se "aproxima um importante período eleitoral", exortando os trabalhadores a exigir o cumprimento das promessas do Governo.

Já o líder da UGT, João Proença, pediu ontem a baixa da taxa de IRS nos salários e nas pensões, defendendo que é necessário aumentar o nível de vida dos trabalhadores. Para João Proença, a baixa do IVA recentemente decidida pelo Executivo foi "importante", mas não teve nenhum reflexo na vida e no poder de compra dos trabalhadores, muito prejudicados com o facto da taxa de inflação estimada pelo Governo em 2,1 % estar já nos 2,8 %.

Rejeitando a ideia de que a manifestação tivesse qualquer relação com a recente proposta de alteração do Código Laboral entregue pelo Governo na concertação social João Proença garantiu que a central nunca "aceitará a figura de despedimentos sem justa causa ou por inadequação ao posto de trabalho". Considerou importante lutar contra os falsos recibos verdes e contra a precariedade laboral, mas deixou claro que " a UGT não cede em matéria de papel da negociação colectiva". O líder da UGT garantiu que a central vai negociar o Código em sede de concertação, e teceu duras críticas a Francisco Louçã, líder do BE, que no Parlamento referiu que só "sindicatos pouco sérios é que negociavam com o Governo". |


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