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Passadeiras põem peões em risco de atropelamento

por

DANIEL LAM

SARA MATOS  

Do total de cerca de 12 mil passadeiras para peões existentes na cidade de Lisboa, muitas estão situadas mesmo à frente dos locais onde param os autocarros da Carris, criando situações de perigo para os passageiros que saem do veículo pesado e atravessam a estrada. Isto porque a volumetria do autocarro parado corta a visibilidade aos condutores que o tentam ultrapassar pela esquerda e não vêem que estão peões a atravessar a estrada.

O alerta é lançado por Vítor Pereira, representante de um grupo de moradores da Ajuda, que disse ao DN "já ter havido várias situações de perigo de atropelamento na freguesia, devido à má localização dessas passadeiras". Salienta que, nestes casos, "nem o motorista da Carris consegue ver uma criança ou outra pessoa de estatura baixa que atravesse a passadeira à sua frente. E arrisca-se a atropelá-la quando arranca".

Segundo o mesmo morador, devido ao facto de as passadeiras estarem situadas à frente do local onde pára o autocarro, "as carreiras atrasam-se e vão perdendo velocidade comercial, porque o motorista tem de ficar à espera que os passageiros atravessem à sua frente e só depois pode avançar. Se a passadeira estivesse noutro local, o autocarro poderia arrancar de imediato, logo após terem entrado e saído os passageiros".

Na sua opinião, "as passadeiras deviam ser colocadas atrás do local onde o autocarro pára, até porque as pessoas saem pela retaguarda".

O referido grupo de moradores da Ajuda já enviou à Câmara de Lisboa um ofício enunciando oito passadeiras que têm de ser relocalizadas, na Calçada da Ajuda, junto à Liga dos Deficientes Motores, no Largo da Ajuda, na Rua Aliança Operária e noutras artérias.

Autocarro em infracção

A equipa de reportagem do DN teve oportunidade de constatar que na Rua D. Vasco, na esquina com a Bica do Marquês, onde param as carreiras 60 e 742, o autocarro fica mesmo em cima da passadeira, porque esta está pintada junto ao abrigo dos passageiros. As pessoas saem do autocarro e têm de atravessar a estrada fora da passadeira, porque o autocarro se encontra sobre ela. Um residente até gracejou: "O autocarro está em infracção, porque o Código da Estrada não permite que se pare sobre as passadeiras."

Na Rua dos Marcos, no sentido descendente, junto ao cruzamento com a Rua das Açucenas, também se encontra uma passadeira à frente do local onde pára a carreira 729. Aqui a situação é de perigo acrescido, porque há duas vias largas que convidam a acelerar e a ultrapassar o autocarro, quando estão a entrar e a sair passageiros, alguns deles a atravessar na passadeira.

Questionada pelo DN sobre estas situações, fonte da Câmara de Lisboa garante que a autarquia "não coloca passadeiras em condições que criem perigo para os peões. Pelo contrário, pauta a sua conduta por princípios de segurança e cumprindo as normas e regulamentos respeitantes ao trânsito viário e pedonal".|


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