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Fraca emancipação das mulheres é culpa do petróleo e não do islão

por

PATRÍCIA VIEGAS  

Michael Ross diz que ouro negro perpetua sociedades patriarcais

Há autores que dizem que a fraca emancipação das mulheres é culpa do islão ou do falhanço da democracia em alguns países do Norte de África ou do Médio Oriente. Mas Michael Ross, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, tem opinião diferente: afirma que a preservação de culturas e instituições políticas patriarcais é culpa do petróleo.

Num artigo que compara dados das últimas quatro décadas, publicado recentemente na American Political Review of Science, Ross escreve que quanto maiores forem as receitas do petróleo e do gás maior será a entrada de moeda estrangeira e maiores serão as importações. Assim menores serão os empregos que as mulheres poderão ocupar.

Estas, isoladas, sem dinheiro, sem acesso a uma troca de informações, têm mais dificuldade em fazer valer as suas ideias nas sociedades e menos capacidade de mobilização política para defender os seus direitos. "O petróleo perpetua o patriarcado", argumenta o professor norte-americano, colocando em causa a teoria de que o crescimento económico promove a igualdade de género.

O estudo compara os casos da Argélia e da Tunísia, a primeira rica em hidrocarbonetos e a segunda não, onde um rendimento per capita de 937 dólares e uma representação parlamentar feminina de 6% contrastam com um rendimento de 61 dólares e uma representação de 22%.

"Os diferentes tipos de crescimento económico podem ter efeitos diferentes nas relações de género. Quando o crescimento é resultado da industrialização deve trazer mudanças semelhantes à modernização. Mas as receitas provenientes da extracção de petróleo desencorajam muitas vezes a industrialização ao causar a chamada doença holandesa [relação entre a exploração de recursos naturais e o fim da manufactura]", escreve Ross no seu artigo.

O autor diferencia ainda os países onde as mulheres já estavam activas no mercado de trabalho antes da exploração do ouro negro, como sejam a Síria ou até o México, que ele considera excepções interessantes. "As mulheres de ambos os países podem ter beneficiado de muitos anos de governos de centro-esquerda que revelaram interesse pelos seus direitos", argumenta Ross, num artigo provocador onde o islão não é o suspeito do costume.


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