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Duas bombas de Super-Lisandro como metáfora do campeonato

por

ANTÓNIO TADEIA

jornalista  

O FC Porto venceu com naturalidade o Benfica, por 2-0, aumentando para 20 pontos a sua vantagem sobre o segundo classificado, um V. Guimarães agora mais tranquilo. E fê-lo num jogo que serviu de metáfora para toda a época, tão grande foi o seu domínio: os tricampeões marcaram cedo; controlaram o jogo, mantendo um ritmo pausado durante o remanescente da 1.ª parte; forçaram o andamento na segunda e, embora o segundo golo só tenha aparecido a 10 minutos do fim, podiam ter ampliado a margem mais cedo. Para o espelho da temporada ser perfeito, teve mesmo que ser Super-Lisandro Lopez a marcar os dois golos de uma vitória indiscutível.

O arranque do jogo é marcado pelo golo madrugador de Lisandro, o primeiro que o argentino marcou de pleno direito ao Benfica em três épocas: correu com a bola da direita para o meio e, assim que teve a baliza na mira, ainda bem fora da área, chutou imparável de pé esquerdo. Iam decorridos apenas 07' minutos e, a partir daí, o FC Porto optou por controlar o desafio, sem dar grande profundidade atacante às suas iniciativas: juntou linhas atrás e procurou circular a bola com segurança, sempre a um ou dois toques. Isso permitiu que o Benfica ganhasse algum ascendente territorial, mas roubou espaço interior aos atacantes. Daí que se tenha visto menos Di Maria do que em Alvalade, por exemplo, e que tenham sido Nelson e Maxi os maiores protagonistas desta reacção benfiquista. Até ao intervalo, o FC Porto só se mostrou em bolas paradas, mas o Benfica também não criava desequilíbrios.

Corria o jogo assim quando o FC Porto veio transfigurado para a 2.ª parte. Jesualdo terá mandado subir o bloco e aumentar o ritmo, e o Benfica encostou às cordas. A bola passou a andar dentro da área de Quim, com Lisandro perto de dobrar a marca e, além disso, apareciam ainda perigosos remates de longe, sobretudo por Raul Meireles. O Benfica, que até ameaçara empatar por Rodriguez, logo aos 48', saiu de campo. E pior ainda ficou quando Chalana quis dar força na frente, com Cardozo, mas optou por tirar o seu melhor médio (Maxi). Foi por isso com normalidade que o 2-0 chegou aos 80', em mais um remate de fora da área de Lisandro, desta vez de pé direito: era a 12ª tentativa dos portistas no segundo tempo, contra apenas duas dos adversários. |


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