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SÉRGIO BARRETO MOTTA, Rio de Janeiro
Quem vê o presidente da petrolífera Petrobrás - a maior empresa do Brasil - Sérgio Gabrielli, a fazer negócios pelo mundo fora, ninguém imagina que já foi um importante militante político de esquerda. Mesmo sem ter pegado em armas contra o governo militar brasileiro, que durou de 1964 a 1986, Gabrielli foi preso e afirma ter sofrido castigos físicos. Foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional, com a qual a gestão militar brasileira punia as pessoas consideradas perigosas. Mas isso faz parte do passado.
Hoje, Gabrielli mal tem tempo para a família, composta por mulher e um casal de filhos, um rapaz de 26 anos e uma rapariga de 18. Vive entre a elite brasileira e, nas suas viagens pelo mundo, convive com presidentes de empresas de petróleo, ministros e xeques.
José Sérgio Gabrielli de Azevedo e, como no Brasil se dá preferência ao nome paterno, a assinatura é feita com José Sérgio Azevedo - embora seja mundialmente conhecido como Gabrielli. Nascido em 1949, portanto com 58 anos, Gabrielli tem descendência materna de italianos, da cidade de Lucca, na Toscana. Formou-se em economia numa região conhecida pela música e a excessiva informalidade, a Baía.
Os assessores de Gabrielli afirmam que a sua principal característica é a dedicação excessiva ao trabalho. Chega à sede da empresa às 8h 30m e em geral deixa o local às 23h, às vezes perto de meia noite. Prova disso é seu roteiro nos últimos dias. A 10 de Abril foi ao Japão, onde a estatal brasileira comprou uma refinaria em Okinawa. Após 40 horas de viagem saiu do aeroporto para a reunião de administração da empresa, sem passar por casa. Alguns dias depois, voou para o México, onde participou de reunião do fórum mundial. Voltou ao Rio no dia 17 e, dia 18 foi a Porto Alegre, Sul do Brasil. A assessora pessoal, Miriam Guaraciaba, revela ao DN que, entre os hobbies do chefe, não há lugar para o desporto, excepto raras caminhadas e muita leitura. Sempre gostou de economia, mas hoje dá preferência a obras, em inglês, sobre petróleo e energia. Gabrielli é um gentleman, mas tem, como se diz no Brasil, pavio curto, ou seja, fica furioso facilmente. Mesmo assim, não exagera na repreensão e é sempre educado, embora o interlocutor note o grau de aborrecimento do chefe, diz Miriam.
Outro dos assessor admite que é afável com a imprensa, mas, quando não quer falar sobre um assunto, passa totalmente mudo pelos repórteres, o que é excepção. Recentemente, recebeu jornalistas estrangeiros para um pequeno almoço, onde mostrou ter um excelente sentido de humor, mas a todo momento era interrompido com assessores, que lhe traziam informações e faziam perguntas.
Pouca gente sabe, mas durante três anos, Gabrielli foi jornalista. Trabalhou, em Salvador, na Baía, como repórter, revisor e editor. Numa entrevista recente, explicou que teve de deixar essa profissão por perseguição das forças armadas, no governo militar brasileiro. " Fui perseguido depois de sair da cadeia, despedido de diversos empregos por perseguição militar. Aí, saí do Brasil e passei cinco anos nos Estados Unidos", admitiu publicamente Gabrielli. Lá ficou entre 75 e 80 - onde aproveitou para concluir doutoramento em Boston. Além de jornalista frustrado, Gabrielli não conseguiu atrair as massas. Perdeu todas as eleições que disputou: em 82, para deputado federal, em 86 para vice-prefeito de Salvador e em 90 para o importante cargo de governador da Baía. Gabrielli é um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, criado e presidido por Lula da Silva desde os anos 70, e participou do grupo que traçou a estratégia do governo, após a eleição de Lula, em 2002. Em Janeiro de 2003, com a posse de Lula, assumiu o cargo de director da Petrobrás e, em 2006, passou a presidente da petrolífera. Tem relacionamento directo com Lula, colega de partido e amigo.|
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