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RUDOLFO REBÊLO
O peso dos juros pagos pelos portugueses ao estrangeiro - resultante de empréstimos à banca para compra de casas e consumo - levou o défice externo atingir os 8,5% do PIB em 2007 e pode, a curto prazo, endividar ainda mais o país. A banca, com falta de depósitos de clientes, recorreu a empréstimos ao estrangeiro e colocou o país numa posição "mais devedora", alerta o relatório da Primavera do Banco de Portugal, ontem divulgado.
O défice do país com o estrangeiro em 2007 não foi mais alto graças ao bom comportamento das exportações de serviços (turismo e serviços de empresas) e às transferências da União Europeia, "associadas à execução de projectos no âmbito do III Quadro Comunitário de Apoio. Mas os bancos nacionais, sem recursos e pressionados pelos inúmeros pedidos de crédito, sentem os efeitos da elevada "exposição" ao estrangeiro e estão a mudar de estratégia.
Com o preço das poupanças externas mais caras (taxas de juro e comissões mais altas, consequências da falta de liquidez) os banqueiros estão agora a apostar na captação de depósitos de clientes nacionais. Contrairam margens e oferecem melhores taxas pelos depósitos a prazo. Uma tarefa facilitada "nos meses mais recentes pelas reduções na rendabilidade dos produtos alternativos", diz o banco central. Ou seja, os portugueses (e emigrantes) estão a retirar dinheiro dos fundos de investimento e dos certificados de aforro e a aplicar em depósitos a prazo. Estratégia que levou a um crescimento de 8,1% nos depósitos da banca.
Por uma feliz coincidência, os bancos portugueses terão sido apenas "chamuscados" pelo fogo da crise financeira internacional, no segundo semestre de 2007, desencadeado pelo colapso dos empréstimos ao imobiliário de alto risco nos EUA (subprime). É que, afirma o banco dirigido por Vítor Constâncio, a banca comercial concentrou no primeiro semestre do ano passado "as necessidadesde financiamento previstas para 2007".
Emprego frágil. O investimento e a compra de bens duradouros como máquinas e automóveis "puxaram" pela actividade, mas o aumento das exportações de serviços foi decisivo para a economia portuguesa registar uma expansão de 1,9% em 2007. As vendas ao exterior aumentaram 7,5% - em desaceleração face aos 9,2% em 2006, explicado pelo decréscimo do comércio mundial. Nas vendas de mercadorias as quotas de mercado subiram 0,6%, enquanto os serviços ganharam 1,9% no espaço exterior. Ou seja, o país está mais competitivo.
O Estado, ao gastar menos 0,1% do que em 2006, não contribuiu para o crescimento da economia e o consumo privado - gastos das famílias e empresas - aumentou 1,5%, mais 0,3 pontos percentuais face a 2006. Um aumento "contido" das depesas, diz o banco central. É que as famílias estão a ressentir-se do aumento da carga fiscal, subida das taxasde juro e do desemprego. O emprego aumentou apenas 0,2% e, pior, assistiu-se no ano passado a um aumento dos contratos com termo, o que transmite mais insegurança aos consumidores.|
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