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PAULA CARMO
Assistente graduada incorre numa pena de prisão até três anos
Um doente de Seia, de 72 anos, andou a "viajar" entre vários hospitais, com sintomas de enfarte. Ao fim de dois dias, faleceu no Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), precisamente de onde tinha recebido alta dois dias antes. Contacto pelo DN, o filho de João Tilly questiona: "Como foi possível ninguém saber, inicialmente, a causa de morte se o meu pai andou dias em hospitais?".
Aconteceu em Março de 2004 e foi agora deduzida acusação à assistente graduada de cardiologia dos HUC que estava de serviço às urgências na primeira vez que o idoso recorreu àquele hospital. O Conselho de Administração dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) emitiu ontem um comunicado afirmando que "corre um processo para apuramento de eventual responsabilidade disciplinar, no âmbito da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde".
O caso remonta ao dia 22 de Março de 2004 quando João Tilly dos Santos foi transferido do Hospital Nossa Senhora da Assunção, em Seia, para os HUC por suspeita de pneumonia e de enfarte agudo de miocárdio. Foi observado pela cardiologista de serviço à urgência, e por médicos de diversas especialidades, designadamente medicina interna e gastrenterologista. A cardiologista, ao final da tarde daquele dia, deu alta ao doente, mas ele voltou ao hospital de Seia no dia seguinte, pelas 01.57.
Como aquele hospital não possuía serviços das especialidades de cardiologia e de pneumologia, nem de cuidados intensivos gerais, João Tilly dos Santos foi transferido para o Hospital Sousa Martins, na Guarda, onde entrou pelas 18.54. Também ali não era possível acudir ao gravíssimo estado de saúde do idoso e ele voltou para os HUC, onde entrou pelas 03.14 de 24 de Março. Após duas tentativas de reanimação, o doente faleceu no mesmo dia, pelas 11.00, devido a enfarte agudo de miocárdio.
Aos familiares foi comunicada "causa de morte desconhecida", mas a autópsia e as análises complementares revelaram que o enfarte tinha vários estádios de evolução.
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