Publicidade
Diário de Notícias Diário de Notícias


cidades

Matou o ex-chefe a tiro em ajuste de contas

por

AMADEU ARAÚJO, Viseu  

Suspeito, de 30 anos, é bombeiro e conseguiu fugir às autoridades

Um homem morreu ontem e duas pessoas ficaram feridas na sequência de um ajuste de contas protagonizado por um antigo funcionário da empresa Moviflor de Viseu. O indivíduo, de 30 anos, entrou nos escritórios da empresa e disparou à queima-roupa sobre o responsável. De seguida dirigiu-se a uma companhia de seguros onde efectuou mais dois disparos mas sem atingir ninguém devido à reacção de um mediador que, ao aperceber-se do sucedido, conseguiu travar o alegado homicida (ver caixa). Ao final do dia, o agressor ainda se encontrava a monte. A PJ reconhece tratar-se de um "ajuste de contas" relacionado com uma indemnização resultante de um alegado acidente de trabalho na Moviflor.

José Manuel Duarte Silva, de 30 anos é residente em Maçarocas, S. Pedro do Sul, onde é bombeiro, e terá sido o autor dos disparos que vitimaram o gerente da Moviflor, empresa com quem mantinha um diferendo e de onde foi despedido em Março de 2007.

Ao que apurou o DN junto de fonte policial, "o suspeito foi visto a rondar a empresa e pediu para falar com o gerente. Quando foi recebido, disparou dois tiros sobre a vítima com uma caçadeira". O indivíduo entrou, às 11h37, na loja da Moviflor e atingiu com dois tiros de caçadeira o responsável da loja. José Manuel, 34 anos, casado e com uma filha, ainda foi conduzido ao hospital onde deu entrada com vida. "Entrou às 11h55 em estado grave com uma bala alojada na caixa torácica. Morreu durante a intervenção cirúrgica para a remoção do projéctil", adiantou ao DN Luís Viegas, porta-voz da unidade de saúde.

Depois de efectuar os disparos, o alegado homicida "entrou no carro e saiu em grande velocidade", contou Raquel Maria, proprietária de uma mercearia do outro lado da rua e que se apercebeu do crime. Posteriormente dirigiu-se à seguradora Açoreana, que é responsável pelos seguros da loja da Moviflor, onde efectuou dois disparos sem atingir ninguém devido à intervenção de um mediador de seguros. Este homem, de 62 anos, entrou numa luta com o suspeito e acabou por ficar ferido . O segundo ferido é uma mulher, de 53 anos, que terá entrado em pânico. Foi a acção do mediador que travou o alegado agressor. Apesar disso "ainda disparou dois tiros que por sorte não atingiram ninguém", afirmou Manuel Capela, responsável da filial da seguradora. "Quando saiu do gabinete e, ao ver a arma apontada na sua direcção, tentou proteger-se, tendo depois ouvido dois tiros, que "acabaram por acertar num recipiente com água. Na altura estavam cá dentro seis funcionários, mais o mediador", explicou.

Na origem do homicídio estará um diferendo que José Silva mantinha com a Moviflor, de onde foi despedido. Teresa Albuquerque, da administração da empresa, assegurou ao DN que o suspeito "esteve de baixa de Janeiro de 2006 a Março de 2007 porque teve um acidente, no seu carro, quando regressava a casa. Como tinha uma incapacidade acabou por ser despedido".

Mas no circulo de relacionamentos do alegado homicida corre outra versão. "Ele teve um acidente há dois anos quando saiu do trabalho. Esteve de baixa, foi operado e regressou ao trabalho", revelou Manuel Poças, dirigente do Corpo de Salvação Pública, em São Pedro do Sul, onde o suspeito era bombeiro de segunda classe. Também o comandante dos bombeiros referiu ao DN que "ele mudou o comportamento desde o acidente de viação quando regressava a casa do trabalho na Moviflor". António Almeida referiu que "andava um pouco revoltado, de vez em quando exaltava-se, mas nunca a ponto de fazer isto".

No quartel, os bombeiros ficaram incrédulos porque o suspeito era considerado "uma pessoa humilde mas desde que teve o acidente ficou abalado". Uma funcionária da loja afirmou ao DN que "depois do acidente ele ainda veio trabalhar. Mas como não conseguia, faltava muita vez e sempre exigiu a indemnização. O gerente, que tinha um feitio especial, acabou por despedi-lo mas ele nunca deixou de exigir a indemnização".

Manuel Capela está na Açoreana de Viseu desde Abril do ano passado e não conhece em pormenor o processo em causa mas ,segundo afirmou ao DN, "terá sido tratado pelos nossos médicos, após o acidente de trabalho. Em termos clínicos não haveria mais nada a fazer", referiu.

José Manuel entrou na Moviflor como distribuidor em 1996. Desde há dois anos que ascendeu ao cargo de gerente. Era casado, tinha um filho de seis anos e residia em Bassar, Viseu. A morte deixou os amigos indignados: "Ele não tinha nada a ver com isso e agora está morto."

Fonte da PJ adiantou ao DN que o agressor "está devidamente identificado". A PJ ouviu também o comandante dos bombeiros que ainda terá tentado entrar em contacto com José Silva para o convencer a entregar-se. Ao final do dia, as forças policiais receberam a indicação de que agressor se terá dirigido ao Fórum Viseu, onde trabalha a mulher da vitima. Todavia Almeida Campos, comandante da PSP de Viseu, referiu ao DN que se tratou de "um falso alerta". Todas as estradas da região estão vigiadas mas no fecho desta edição o suspeito dos disparos continuava a monte.


ImprimirImprimirEnviar por EmailEnviar por Email
PartilharPartilhar


Especiais

Recuar
Avançar
PUBLICIDADE


RSS


PATROCÍNIO
sondagem

Inquérito DN

Decisão do PGR significa o fim do processo 'Face Oculta' para José Sócrates?

Sim
Não
Votar  Ver Resultados




Desporto

Todas as notícias

Todas as notícias

Cartaz

PLANO GERAL

PLANO GERAL

Portugal

Facebook

Facebook

Televisão

Guia TV

Guia TV

Portugal

Twitter

Twitter




Diário de Notícias, 2009 © Todos os direitos reservados | Termos de Uso e Política de Privacidade | Ficha Técnica | Publicidade | Contactos