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A mais antiga gravação conhecida da voz humana, com a duração de dez segundos, em que uma mulher canta "etereamente" a canção popular francesa Au Clair de la Lune, foi ouvida pela primeira vez em quase 150 anos, e apresentada numa conferência da Association for Recorded Sound Collections, que se realizou na passada sexta-feira, na Universidade de Stanford, na Califórnia.
Pensava-se até agora que uma gravação de Thomas Edison a cantar uma famosa canção infantil, Mary Had a Litle Lamb, em 1877, era a mais antiga de todas. Edison fez esta gravação para testar uma das suas muitas invenções - o fonógrafo.
Esta gravação de Au Clair de la Lune foi feita a 9 de Abril de 1860 por um inventor francês, o parisiense Édouard-Léon Scott de Martinville, com um aparelho por ele concebido, o "fonautógrafo", que "desenhava" representações das ondas sonoras em papel coberto de fuligem proveniente de uma lamparina a óleo.
Recuperação digital
A gravação foi recuperada digitalmente pelo historiador e investigador americano David Giovannoni, que a encontrou em Paris, e a trabalhou com um grupo de historiadores, arquivistas e de engenheiros de som do Lawrence Berkeley National Laboratory, da Califórnia, que visam tornar acessíveis a toda a gente as mais antigas gravações feitas.
Giovannoni disse à agência AP que, a primeira vez que ouviu a gravação, sentiu uma impressão "mágica, etérea. A verdade é que foi registada em fumo. A voz está a vir de detrás de uma cortina de fumo sonoro".
A gravação não foi feita com a intenção de ser reproduzida, mas sim como uma experiência, por Scott de Martinville, mas as tecnologias modernas permitiram que passasse a ficar acessível ao ouvido humano.
Ainda segundo este investigador, a invenção de Thomas Edison não fica "de modo algum" relegada "para segundo plano" por esta descoberta, já que o americano foi, "verdadeiramente, a primeira pessoa a gravar a voz humana e a reproduzi-la".|
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