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Ingrid foi ao médico com escolta de 300 guerrilheiros

por

SUSANA SALVADOR  

Ingrid foi ao médico com escolta de 300 guerrilheiros

Governo está disposto a suavizar as condições para a troca humanitária

Ingrid Betancourt, refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) há mais de seis anos, foi vista por um médico na região rural de San José del Guaviare em finais de Fevereiro. "Foram 200 ou 300 guerrilheiros que estabeleceram um cordão de segurança em redor do posto médico de El Capricho para que ela pudesse ser atendida", disse à rádio privada RCN o padre Manuel Mancera, no dia em que o Governo anunciou estar disposto a libertar os guerrilheiros detidos em troca da refém.

De acordo com o padre, que citou depoimentos de vários camponeses, a ex-candidata presidencial terá estado internada entre 20 e 25 de Fevereiro no posto médico. Na quinta-feira, o defensor (provedor) do povo, Volmar Perez, tinha dito que o estado de saúde da franco-colombiana era "muito delicado", comparando o seu aspecto ao das crianças subnutridas da Somália. Ingrid Betancourt sofrerá de hepatite B e de leishmaniose (uma grave doença da pele) e já na última prova de vida, divulgada em Novembro, aparecia muito magra.

Por tudo isto, o Governo propôs ontem às FARC facilitar a libertação dos guerrilheiros detidos assim que Ingrid estiver em liberdade. "Os insurgentes podem estar imputados ou condenados até por crimes que não sejam susceptíveis de amnistia ou indulto", explicou o alto-comissário para a Paz, Luis Carlos Restrepo, pondo como única condição que os guerrilheiros não voltem à luta armada.

Até agora, o Executivo nunca contemplara a libertação de membros da guerrilha condenados por assassínios, massacres ou ataques terroristas. "Reduzimos ao máximo os requisitos", disse Restrepo, lembrando que "basta simplesmente que, de maneira imediata, Ingrid seja libertada para considerarmos que o acordo humanitário se realizou".

A França, interessada neste dossier devido à dupla nacionalidade da refém, apelou às FARC para que aceitem "sem demoras" esta oportunidade. "Há urgência na sua libertação. É uma urgência humanitária absoluta", afirmou o porta-voz adjunto do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Frédéric Desagneaux. A Igreja colombiana voltou a pedir à guerrilha para que a aceite como intermediária da troca humanitária, mas qualquer diálogo ficou muito abalado depois da morte do número dois das FARC, Raúl Reyes, no início do mês, em território equatoriano.

A família de Ingrid está a receber esta proposta do Governo de Álvaro Uribe com prudência. O ex-marido da franco-colombiana, Fabrice Delloye, teme que o anúncio seja apenas para causar "efeito", recordando que a exigência da guerrilha para uma troca humanitária foi sempre a desmilitarização dos municípios de Florida e Pradera. "Temo que Uribe tenha feito este gesto porque sabe que Ingrid está mal e não quer carregar com a responsabilidade da sua morte", disse. Com agências


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