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CONTRA O COMER E CALAR

por

Ferreira Fernandes  

Ainda sobre o vídeo (por estes dias só há um), João Grancho, coordenador da linha SOS Professor, disse: "Este foi um acto condenável, mas recorrente." Na quinta-feira, assustei-me com o vídeo. Ontem, assustei-me porque o que me dá sustos é, afinal, banal. A sério? Um professor ser arrastado por um aluno durante longos minutos, ser tratado por tu e aos gritos, ser gozado pela turma inteira (e não à socapa), ter toda a cena filmada, e ter como solução fugir, porta fora, é "recorrente". Isto é, acontece aqui e ali e a tantos que é normal na sala dos professores o encolher de ombros: "Lá me aconteceu, levei nas trombas. Passas-me o jornal?" A sério? Com risco de passar por ingénuo, garanto: não fazia ideia. Não tenho soluções para os males do mundo, excepto a recusa de achar natural o que não é. Se a escola é aquilo que vi, pergunto: como é que uma classe que se revelou tão mobilizada ainda há dias suporta o fascismo recorrente que lhe é infligido por miúdos? |


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