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"O melhor da guerra foi o derrube de Saddam"

por

CADI FERNANDES  

Entrevista. Frank Francona, analista militar

O melhor e o pior desta guerra?

O melhor, claro, foi o derrube de Saddam Hussein e do seu regime. Para além do sofrimento que impôs ao seu próprio povo, representava uma ameaça para outras nações da região. O pior foi a deficiente condução da guerra depois da queda de Bagdad até ao reforço das tropas, que começou no Verão passado. Os militares americanos deviam ter estado lá em força para poderem ser depressa, entregando a segurança do país ao exército iraquiano, que tinha garantido não lutar. Mas quando o embaixador Bremer decidiu desmantelar o exército, tal forçou a coligação a tornar-se em força de ocupação, algo para que não estava preparada.

O petróleo justifica isto?

O envolvimento americano na região baseia-se largamente no petróleo, e tem sido assim desde, pelo menos, 1973 e o embargo árabe ao petróleo. Nessa altura, tínhamos o Irão como aliado. Quando isso mudou, em 1979, com o derrube do Xá, os EUA tiveram de rever a sua política na região. O que emergiu foi a chamada Doutrina Carter - o uso da força militar para garantir o acesso internacional ao petróleo do Golfo Pérsico. Foi essa doutrina que levou a América a apoiar os iraquianos contra os iranianos nos últimos anos da guerra Irão-Iraque. Também foi esta doutrina que motivou o apoio americano ao Koweit e à Arábia Saudita após a invasão do Koweit, em 1990.

Retirar agora ou daqui a cem anos, como defendeu Mc Cain?

Não penso que o senador McCain queira mesmo, literalmente, manter lá as forças americanas por mais cem anos. Acho que se refere a uma presença continuada das forças americanas como sucede na Alemanha, Japão e Coreia, que remonta já há 60 anos. Penso ser inevitável que o grosso das tropas seja retirado no próximo ano ou por aí, mas deverá permanecer um contingente pequeno durante algum tempo. Enquanto as forças de segurança do Iraque não forem capazes de manter a ordem, não podemos abandonar o local aos elementos da Al-Qaeda e, até, a Moqtada al-Sadr.

Que lição tirar desta guerra?

Se vamos levar a cabo este tipo de operações, devemos fazer um melhor planeamento.

O mundo está mais perigoso agora?

Boa pergunta. Presumo que dependa de onde se vive. Enquanto tivermos a Al-Qaeda ocupada no Afeganistão e no Iraque, não se conseguirá expandir.

A América abriu a caixa de Pandora ao iniciar esta guerra?

O que podíamos ter feito na sequência do 11 de Setembro? A grande questão é: a invasão do Iraque era necessária? Há quem alegue que isso desviou as atenções do foco principal, o Afeganistão. Talvez sim. A decisão foi tomada de acordo com as fracas informações da altura. Agora, temos de lidar com isto.

Como ganhar a guerra?

Mantendo a acção militar até que as forças de segurança iraquianas sejam capazes de efectuar operações independentes.

Uma vergonha para a nação mais poderosa do mundo?

Talvez essa questão deva ser colocada aos iraquianos xiitas e curdos. |


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