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Menezes falta às reuniões da família política europeia

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FRANCISCO ALMEIDA LEITE  

A ausência do presidente do PSD está a ser mal vista em Bruxelas

Desde que foi eleito presidente do PSD, nas eleições directas de 28 de Setembro, Luís Filipe Menezes só participou numa reunião do Partido Popular Europeu. E logo a que se realizou em Lisboa, no dia 18 de Outubro, em que Menezes não terá estado muito tempo. No total, desde que tomou posse, já se realizaram quatro cimeiras de líderes de partidos do PPE, incluindo dez que estão no poder, mas o presidente do PSD só esteve num desses encontros.

Na passada quinta-feira, o PPE reuniu-se em Bruxelas para debater as alterações climáticas e a agenda do Conselho Europeu, tendo Menezes mais uma vez primado pela ausência. Segundo dizem fontes políticas ao DN, as faltas de Menezes não estarão a cair bem junto do próprio Wilfried Martens, presidente do grupo político europeu. Numa reunião em que os partidos do PPE também reiteraram a sua concordância com uma "rápida ratificação do Tratado de Lisboa", Menezes faltou à chamada. Para aquelas fontes, "é inédito que um líder do PSD não queira estar em momentos destes. É preciso lembrar que o PSD já deu um líder da Comissão Europeia e vários vice-presidentes do Parlamento Europeu". Ao DN, António Martins da Cruz, que dirige a Comissão de Relações Internacionais do partido, desvaloriza a polémica: "As relações do PSD com o PPE são as melhores. Se ele [Menezes] não esteve nas últimas reuniões foi, com certeza, por uma razão de gestão da sua agenda."

Perante as ausências de Menezes, tem sido o "barrosista" Mário David a substituir o presidente do PSD nas reuniões. O vice-presidente do PPE, e ex-eurodeputado, goza não só de alguma proximidade com o actual presidente da CE, José Manuel Durão Barroso, como também junto de alguns chefes de Governo europeus. Sendo assim, foi Mário David - que apoiu Marques Mendes nas directas e não quis prescindir do seu lugar no PPE, que quer cumprir até ao fim do mandato - que ficou a par da estratégia que os partidos do centro-direita vão adoptar nas eleições europeias do próximo ano. Para além disto, os líderes europeus reforçaram a ideia de que o próximo presidente da CE deverá continuar a ser oriundo da sua família política.

"A discussão de hoje foi muito importante, de forma a trabalhar, ainda com mais força, nos problemas reais que os cidadãos enfrentam, como as alterações climáticas e a economia. Eu acho que esta é a maneira mais apropriada de fazer a aproximação às europeias do ano que vem, disse Wilfried Martens, a seguir à reunião a que Menezes faltou. O DN tentou ouvir Mário David, o que não foi possível até ao fecho desta edição.


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