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Dúvidas sobre a lei fazem disparar preço dos registos

por

PATRÍCIA JESUS  

Imóveis. Na conservatória de Torres Vedras, um cliente pagou 7750 euros por um acto que na semana anterior custava menos de mil. O Ministério da Justiça já reconheceu o erro, mas é a própria lei que está a dar origem a interpretações que fazem disparar os custos do registo predial

Dúvidas sobre a lei fazem disparar preço dos registos

A interpretação feita pelo Instituto dos Registos e do Notariado (IRN), órgão do Ministério da Justiça, da nova lei do registo predial, que entrou em vigor esta semana, está a levar conservatórias a cobrarem valores muito superiores ao devido pelos registos prediais. Em Torres Vedras, por exemplo, uma conservatória cobrou 30 vezes mais do que devia por um registo, disse ao DN a Ordem dos Notários. Segundo o Ministério da Justiça (MJ), o caso denunciado pelos notários já foi detectado e será corrigido em breve. No entanto, os notários garantem que a conservatória só cobrou tal verba porque se baseou no despacho interpretativo de oito páginas enviado à Ordem dos Notários pela próprio IRN. No documento pode ler-se que "sempre que o pedido de registo abranja mais do que um prédio urbano, os emolumentos devidos pelo acto são cobrados por cada um deles". O Ministério diz que a ideia da lei é a de cobrar apenas um emolumento, independentemente do número de fracções. A interpretação feita pelo IRN foi outra.

E foi o que aconteceu em Torres Vedras. O caso foi comunicado à Ordem pela notária que tratou do processo. Nesta situação, a escritura, que na semana passada custaria 135 euros pela inscrição de hipoteca - mais 50 por cada fracção, até um máximo de 800 euros - custou 7750. Como? Cada fracção foi taxada a 250 euros e na nova legislação não há referência a um tecto máximo. Tratando-se de 31 fracções, a conta final atingiu aquele valor. A notária Heloísa Pereira da Costa conta que ficou "chocadíssima" quando recebeu a conta. "Não fui só eu, toda a gente ficou espantada". "Quando a tabela saiu nós estudámos os novos preços, mas ninguém anda a fazer simulações de todos os casos possíveis", explica.

O Ministério confirma que o caso, uma hipoteca sobre 31 fracções efectuada pela mesma pessoa, é uma situação que acontece com pouca frequência. Mas garante que o novo preço do registo no caso apresentado é de 250 euros, "o que representa uma redução de 68% face ao preço anterior para este acto, que era de 800 euros mais impostos". Ou seja, segundo o Ministério, não é suposto cobrar-se 250 euros por cada fracção, como é dado a entender pelo despacho do IRN. Assim, o MJ diz que se trata de um "caso que já foi detectado e corrigido" e que o cliente irá receber o montante cobrado em excesso.

Mas se o Ministério fala em 'caso', a ON fala em erro. "Acho que não há erro de interpretação, a lei aponta nesse sentido e a conservadora decidiu bem. Se não era isso que o Ministério pretendia então vai ter de alterar a lei", diz o bastonário Joaquim Barata Lopes.

Novas regras dividem

As novas regras do registo predial dividem notários e Governo, em mais um capítulo de uma guerra que se arrasta há quase três anos. Enquanto os primeiros argumentam que os custos subiram, Alberto Costa diz que o processo ficou mais barato. Para a Ordem, os números apresentados pelo Governo baseiam-se numa "interpretação habilidosa da nova legislação". As escrituras, garantem, "na esmagadora maioria dos casos, aumentaram de preço". O Ministério argumenta que nos exemplos indicados pela ON têm sido omitidas parcelas que compõem o preço dos registos o que não tem permitido discutir objectivamente o novo sistema de preços do registo predial.|


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