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Provas da morte convencem PJ mas falham em tribunal

por

PEDRO VILELA MARQUES  

Exames. Na véspera do provável anúncio do procurador-geral da República do arquivamento do caso Maddie, o DN soube junto de fontes próximas ao processo que análises a cabelo encontrado no carro dos McCann revelaram que 16 em 18 marcadores coincidem com a informação genética da criança

Juiz desconfia de prova usada de forma isolada

Exames efectuados ao cabelo recolhido na bagageira do carro alugado pelos McCann no Algarve determinaram que 16 em 18 marcadores coincidem com a informação genética de Madeleine. A informação adiantada ao DN por fonte da PJ junta-se aos resultados do relatório preliminar do laboratório de Birmingham, em Inglaterra, onde se verifica que "15 dos 19 marcadores genéticos encontrados num vestígio recolhido na mala do carro do casal coincidem" com o da criança.

"As provas são inequívocas para os investigadores", garante a fonte da PJ. "Estamos a falar de um tufo de cabelo encontrado no sítio da roda suplente, no porta bagagens do carro, que não podia ter caído da roupa dos irmãos ou ter ido lá para por outro meios. A questão é que para fazer prova inequívoca em tribunal é preciso chegar aos 18 marcadores. Mas com 16 os investigadores já não têm dúvidas", reconhece o polícia.

No entanto, para um juiz contactado pelo DN, não há razões para tantas certezas. "Resta saber que marcadores estão em falta e se eu tivesse de decidir com base apenas neste elemento de prova não levava um caso a julgamento, porque a probabilidade de sucesso seria muito baixa. Estas provas têm sempre de ser articulados com outros elementos."

Outra fonte bem colocada junto do processo, e com conhecimentos forenses, corrobora a versão do agente da PJ ao defender que "estes exames são como a recolha de impressões digitais, em que para fazer prova em tribunal é preciso detectar 13 pontos, mas a partir dos 11 a polícia já tem certezas".

Para a fonte do DN, as conclusões dos exames ao cabelo encontrado no Renault Scénic usado pelos McCann só não foram incluídas no relatório final da PJ porque "já que as provas não iam ser usadas em tribunal, a polícia não quis que o Ministério Público dissesse que há perseguição em relação aos pais da criança".

Apesar de desconfiar deste meio de prova isolado, o juiz ouvido pelo DN argumenta que havia matéria para levar os pais de Maddie McCann a tribunal. "Eles podiam ser julgados na mesma pelo crime de colocação de menor em perigo, pois deixar a filha sozinha no quarto de hotel enquanto vão jantar não é aceitável perante os padrões sociais, e por obstrução à justiça. É bom lembrar que os pais da criança chamaram primeiros as televisões do que a polícia."


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