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SUSETE FRANCISCO
Conferência. Juventude do PS promoveu ontem um debate sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Uma discussão em que ficou claro que esta é uma ideia longe do consenso entre os socialistas. Pedro Zerolo, dirigente do PSOE espanhol e orador convidado, veio dizer que a esquerda tem de "ter valentia"
Deputados reconhecem dificuldades em mudar a lei no Parlamento
Se o casamento entre pessoas do mesmo sexo fosse hoje a votos no Parlamento nem mesmo a maioria socialista teria garantidos os votos suficientes para a fazer aprovar. Um cenário deixado ontem - por socialistas - na conferência internacional "Nada mais que a igualdade - casamento entre pessoas do mesmo sexo", uma iniciativa da Juventude Socialista (JS), que decorreu na Assembleia da República (AR). Um encontro que contou com a presença de Pedro Zerolo, secretário federal do PSOE para os movimentos sociais.
Zerolo falou na AR enquanto membro do partido do governo espanhol, mas também numa condição impossível em Portugal - homossexual e casado, uma união permitida pela lei espanhola, aprovada por Zapatero. Uma alteração que só foi possível "graças a um primeiro-ministro valente, a um primeiro ministro socialista", afirmou, antes de defender que a "esquerda é valente ou não é esquerda".
A frase haveria de servir a alguns dos participantes para questionar o porquê de o PS não avançar com idêntica medida. "Não é fácil", foi a resposta de vários socialistas presentes.
Foi Pedro Nuno Santos, secretário-geral da JS, a deixar o primeiro sinal das dificuldades em fazer vingar o casamento entre pessoas do mesmo sexo junto das hostes da maioria. "Lamento não ter conseguido esse objectivo", afirmou o responsável da JS (que deixa o cargo este fim-de-semana). Ana Catarina Mendes, vice-presidente da bancada parlamentar do PS, acentuou a mesma ideia: "Muitas vezes é difícil conseguir que as nossa lutas e as nossas bandeiras se consigam concretizar nesta casa [na Assembleia da República]". Mais tarde, e face às intervenções da plateia a lamentar a falta de acção do PS, seria a deputada socialista Maria Antónia Almeida Santos (presente na audiência) a responder: "É preciso ter consciência que estas são, mesmo dentro do PS, questões fracturantes". "Não é fácil. Apesar de o PS ter maioria não quer dizer que tenha desde já os votos garantidos para aprovar uma lei destas", acrescentou a parlamentar da maioria.
Se o PS se divide quanto ao casamento homossexual, os cerca de 20 deputados que passaram ontem pela plateia do auditório da AR, que reuniu cerca de meia centena de pessoas, ficaram com a mensagem clara de que as associações e activistas pelo casamento homossexual não aceitarão nada menos que isto. A união civil registada - que consagra os mesmos direitos que o casamento, mas não tem o mesmo nome -, e que reuniria seguramente um maior acordo na AR, está fora de causa. "Seria um insulto", afirmou Paulo Côrte-Real, da Ilga Portugal. "Um casamento com outro nome é um casamento de segunda, uma forma de desrespeito", corroborou o antropólogo Miguel Vale de Almeida. Já Isabel Moreira, constitucionalista, defendeu que esta questão não deve depender da vontade de maiorias, dado tratar-se de uma matéria de direitos fundamentais".
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