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Iron Maiden arrastaram milhares de fãs

por

DAVIDE PINHEIRO

NATACHA CARDOSO  

Festival. O primeiro dia do SBSR Lisboa

A primeira imagem da tarde solarenga do início do acto lisboeta do Super Bock Super Rock não era diferente da esperada. Algumas filas à entrada do recinto não eram suficientes para retirar o sossego às autoridades. Tudo na ordem e nos conformes. Sem surpresa também, o facto de quase cem por cento da população observada vestir de negro, integralmente ou com jeans azuis escuras.

A explicação para um ambiente tão calmo nas bilheteiras e na entrada do Parque Tejo tinha a ver com a folga que muitos fãs de heavy metal e dos Iron Maiden em particular aproveitaram para gozar. Por exemplo, João Mota, um motard da velha guarda, ainda trabalhou de manhã na empresa de transportes que tanto o angústia, mas mal soou o sino do almoço despiu o fato e deixou apenas sob o trono a camisola da sua banda preferida, comprada em 1986 numa visita à Holanda. "Visto-a sempre que vejo os Iron Maiden. É como um amuleto da sorte que nunca me deixou mal. Não me sentiria eu se não a vestisse hoje", revelou-nos como quem se refere a alguém muito querido.

Na fila da frente, mais fãs dos Iron Maiden para nos dizerem que "é a maior banda de heavy metal de sempre". Exageros à parte, quase toda a concorrência para a primeira noite lisboeta do Super Bock Super Rock 2008 ficou a milhas a nível de interesse do público. Alguns tímidos fãs dos Slayer quase passavam despercebidos no meio de uma mancha negra que quase servia como o primeiro espaço de resistência ao sol.

Apesar da crise petrolífera, dos problemas sociais e do desemprego, a legião heavy metal portuguesa estava visivelmente satisfeita com o cartaz. Ricardo Dias, que viajou directamente do Porto para o festival, não se coibiu de dizer ao DN que "2008 é o melhor ano de sempre em termos de concertos de bandas pesadas em Portugal". E porquê? "Porque os maiores vieram todos e a oferta é boa para o público mesmo para o público mais ligado ao underground".

"Não há festa como esta", dizem os comunistas. O slogan foi seguido pelos metaleiros que aproveitaram nova ocasião para confraternizarem em comunidade. Jorge e Alda não se viam há "mais de dez anos" mas retomaram a amizade antiga no Super Bock Super Rock. E tudo graças "aos Iron Maiden e ao heavy metal", relataram-nos com orgulho. Numa era em que as relações são mantidas à distância através de meios digitais, uma noite de concertos aproximou duas pessoas. Jorge explicou tudo: "É essa a força da música, a de aproximar tudo o que parece distante". |


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