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Manuel Alegre protege Sócrates do violento ataque da SEDES

por

JOÃO PEDRO HENRIQUES  

SEDES. Documento critica Sócrates e elogia nova liderança do PSD

É um facto raro. Manuel Alegre defende José Sócrates. Em causa está o ataque cerradíssimo de que ontem o Governo foi alvo pela SEDES, uma das mais antigas associações cívicas portuguesas, agora presidida por um ex-membro do actual Governo, Luís Campos Cunha, ministro das Finanças durante quatro meses em 2005.

Falando ao DN, o ex-candidato presidencial, que nas últimas semanas até foi acusado pelo seu próprio partido de protagonizar um comício com o BE organizado "contra o PS" - disse que "pode haver muitas razões para criticar José Sócrates mas não seguramente que esteja a governar para eleições".

Segundo Alegre, o que se está a passar com a SEDES é que "decidiu fazer uma viragem de agulhas à direita, para apoiar o PSD e Manuela Ferreira Leite".

No documento, de seis páginas, a associação afirma que o "Governo, após três anos de esforços de estabilização orçamental e de várias reformas que exigiram coragem política, dá agora sinais de preocupação com o calendário eleitoral em detrimento da administração do País". "Há sinais de expectativas defraudadas de reforma e de passos cruciais a serem sustidos, ou mesmo invertidos, por razões ligadas ao tempo eleitoral que se aproxima", acrescenta, afirmando que esse "risco é mais elevado" em "três áreas nas quais a inversão de rumo terá inevitablemente grandes custos económicos e sociais: saúde, educação e regulação do mercado laboral".

Ao mesmo tempo, a SEDES elogia a eleição de Manuela Ferreira Leite para líder do PSD: "No maior partido da oposição poder-se-à ter iniciado um ciclo de estabilidade."

"Frustrações pessoais"

O primeiro membro do Governo a reagir foi Jaime Silva, ministro da Agricultura. "Esperava que a SEDES tivesse a coragem de não estar com problemas eleitorais ou de pensar que precisa de agradar a todos os partidos políticos. Numa análise objectiva e fria, deveria ter reconhecido aquilo que o Compromisso Portugal reconheceu: que em termos de controlo do défice demos cartas."

Depois atacou o presidente da SEDES, Luís Campos Cunha: "Fico surpreendido, foi meu colega durante quatro meses e, depois de ter saído, o Governo resolveu o problema da crise do défice e resolveu-o bem". Campos Cunha, ouvido a seguir pelo DN, foi lacónico: "Leiam o documento antes de o comentarem."

Ao fim da tarde, na Rádio Renascença, um outro membro do Governo, Manuel Pinho, ministro da Economia, carregava no tom pessoal da resposta, afirmando, numa referência velada a Campos Cunha, que o documento resultava de "frustrações pessoais".|


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