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por
PAULA CORDEIRO
Escalada dos juros. Julho começa com nova subida nas taxas dos empréstimos à compra de casa. Para os novos contratos, os juros só se negoceiam a partir de 5%, o valor mais alto desde Novembro de 2000. Quem já está a pagar um crédito, prepare-se para nova revisão em alta da sua prestação.
Euribor a seis meses acima dos 5% em Julho
As más notícias não param para quem tem crédito à habitação. As taxas Euribor, indexantes usados no cálculo dos juros dos empréstimos, não abrandam a sua escalada e fecharam o mês de Junho aos valores máximos desde Novembro de 2000. Num ano, os portugueses pagam mais 25% de prestação pelo mesmo empréstimo.
A Euribor a seis meses, o indexante mais usado em Portugal, registou um valor médio de 5,088% no último mês, ultrapassando a barreira dos 5% depois de há já vários dias se fixar acima daquele valor (ontem fechou nos 5,130%).
Assim, no espaço de um ano, aquele indexante subiu 18,7%, subida idêntica à verificada nas outras taxas Euribor usadas no crédito à habitação. Este indexante no prazo de três meses fechou Junho com um valor médio de 4,940% e a de 12 meses nos 5,361%.
Quem há um ano fosse contrair um novo crédito, com a Euribor a seis meses nos 4,283%, alcançaria uma taxa de 4,783%, beneficiando de um spread de 0,5 pontos percentuais. No mês que hoje começa, com a Euribor a seis meses nos 5,088% e com a subida generalizada dos spreads por parte de todos os bancos, a mesma família conseguiria negociar uma margem de 1,5 pontos, o que coloca a sua taxa final nos 6,588%.
Para um empréstimo de 150 mil euros, a 30 anos, tal significa que a prestação passa dos 785,46 euros pagos em Julho do ano passado, para 982,80 euros actualmente, ou seja, uma subida de 197 euros, mais 25% num ano.
Se a situação pode ser assim exemplificada para os novos empréstimos, para quem já tem crédito à habitação as constantes subidas dos últimos meses vão agravar a prestação, à data da sua revisão.
A subida das Euribor resulta, assim, entre outros aspectos, do clima de expectativa vivido em torno de que o Banco Central Europeu (BCE) vai subir as suas taxas na próxima quinta-feira.
Novo cálculo sem impacto
Nem a entrada em vigor, desde ontem, da nova fórmula de cálculo dos juros irá alterar significativamente o agravamento das prestações. A mudança para a base dos 360 dias - que obriga os bancos a dividir a taxa por 360 dias, ao contrário de multiplicar primeiro por 365 dias e só depois dividir por 360 dias, como faziam anteriormente - foi sendo assimilada pelos bancos, que já se adaptaram antecipadamente.
Quando, no início do ano, o Governo anunciou estas novas regras, os bancos que ainda não as seguiam fizeram as suas adaptações e já as praticavam antes da entrada em vigor. Por outro lado e num quadro de subida dos juros, qualquer vantagem para o consumidor foi absorvida pela subida dos juros, que ditou aumentos nas prestações.|
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