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Orgulho sai do armário para pedir leis mais justas

por

LUÍS NAVES  

Parada. Manifestação de homossexuais

Orgulho sai do armário para pedir leis mais justas

Pelo reconhecimento das relações familiares não convencionais

"Homem verdadeiro leva no pandeiro". Esta foi uma das palavras de ordem da parada do orgulho homossexual realizada ontem em Lisboa, mistura de festa e manifestação que juntou cerca de mil pessoas, com pouca política, muitas plumas e alguma (escassa) nudez.

A festa decorreu sob um sol impiedoso, entre o Príncipe Real e a Praça do Comércio, onde à noite estava previsto um arraial. Este ano participaram pela primeira vez organizações não estritamente pertencentes aos grupos LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgénero).

As estreias de associações como a SOS Racismo ou para o Planeamento da Família deram ainda mais cor ao desfile, simbolicamente dominado por uma grande bandeira que juntava as cores do arco-íris. A diversidade é uma das marcas das manifestações dos grupos LGBT, que têm em comum a questão da sexualidade, mas onde convivem espaventosos travestis, grupos de jovens mal vestidos e activistas mais politizados.

Segundo disse ao DN Vasco Freire, presidente da associação Médicos pela Escolha, "a sociedade está a mudar, mas as leis têm de mudar também". A MPE foi convidada para participar no desfile e o médico referia--se à defesa dos direitos sexuais e reprodutivos. Na sua opinião, a lei da procriação medicamente assistida "deixou de fora, assumidamente, casais de lésbicas e mulheres solteiras", que segundo a lei só podem recorrer a estas técnicas de reprodução se tiverem uma relação com um homem.

Vasco Freire explicou haver outros tipos de discriminação, exemplificando com os transexuais, que enfrentam um penoso processo no sistema de saúde português, caso queiram mudar de sexo.

Paulo Corte-Real, da ILGA Portugal, sublinhou essa lei, de 2006, "uma discriminação evidente". Na sua opinião, a parada serve para reivindicar a igualdade. "Fazemos [este desfile] com orgulho", disse.

Eram quase as palavras de um grupo de travestis que esperava o início da parada, um deles a lamentar que "tão poucos" saíssem "do armário". Vestidos com maillot preto e meias de rede, estes manifestantes contavam histórias pouco agradáveis de discriminação, nomeadamente agressões homofóbicas. "Uma vez, fui agredido e roubado e acordei no hospital", contava Salomé, de 53 anos. E há pior: "Quem anda no Conde [prostituição] corre riscos". E, apesar de tudo, dizem, a situação "melhorou, já não estamos numa sociedade tão fechada". |


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