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ANA BELA FERREIRA
LEONARDO NEGRÃO
Reacções. António Marinho e Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, criticou as polícias e os seus sindicatos, na quinta-feira. Dirigentes sindicais acusam-no de falar sem conhecer a realidade e de falar para aparecer. A falta de soluções apresentadas pelo bastonário é outra falha apontada
"Bastonário até fala mal de si mesmo", diz Carlos Anjos
"É importante que o bastonário esclareça porque diz que os sindicatos prejudicam a segurança, até porque quem faz a escala dos serviços não são os sindicatos". Esta é a reacção do presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP), Paulo Rodrigues, às críticas que o bastonário da Ordem dos Advogados (OA), António Marinho e Pinto, dirigiu às polícias e principalmente aos sindicatos do sector, na quinta-feira. O dirigente sindical acusou ainda Marinho e Pinto de "pôr em causa a hierarquização da polícia" com o ataque aos sindicatos.
Marinho e Pinto disse, na comissão de Assuntos Constitucionais, no Parlamento, que "os polícias amontoam-se nas esquadras" das grandes cidades, mas que à noite estas "estão completamente abandonadas". O presidente do Sindicato dos Profissionais da Polícia (SPP), António Ramos, responde: "apesar da falta de efectivos, há polícias nas esquadras durante o dia e a noite. Em cada turno entram quatro polícias ". Logo, estas acusações "não fazem sentido e não correspondem à verdade", considera. Paulo Rodrigues desafia ainda o bastonário a "dizer em que esquadra viu polícias amontoados".
Para o presidente da Associação dos Profissionais da Guarda (APG), José Manageiro, as afirmações de Marinho e Pinto são de "alguém que não conhece o funcionamento da GNR". E acrescenta que "não era suposto ouvir estas palavras do bastonário da OA".
Outra acusação de Marinho e Pinto foi dirigida à investigação criminal. O advogado defende que esta seja realizada apenas pela Polícia Judiciária (PJ), de forma a pôr ordem na investigação. Uma opinião "ultrapassada e conservadora da segurança pública", classifica José Manageiro.
Mas, nesta matéria, os sindicatos não estão todos de acordo. António Ramos, do SPP, acusa a actual organização das polícias de ter criado muitos serviços duplicados. "Existem departamentos de diferentes polícias a fazer a mesma coisa. Até parece que a crise não chegou à polícia", ironiza. A solução, para este dirigente sindical, está "numa fusão de todas as polícias", uma vez que "iria beneficiar a população". "Defendemos que a PJ seja integrada na polícia nacional", conclui.
Do lado da PJ, Carlos Anjos, presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC), está de acordo com o bastonário. "Sempre defendemos que a investigação deve ser feita pela PJ, mas para isso era necessário aumentar os efectivos e não parece ser essa a vontade do Governo", explica. A defesa da exclusividade da investigação prende-se com o facto de "neste momento existirem órgãos das polícias que começam a investigar desrespeitando a lei da organização de investigação criminal", denuncia.
Quanto às restantes denúncias de Marinho e Pinto, Carlos Anjos considera que "são declarações para vender jornais e aparecer no telejornal, por isso, não lhe ligava muito". "O bastonário tem criticado tudo o que é sindicato", recorda. "Com o à vontade com que ele diz mal dos representantes das classes, qualquer dia engana-se e diz mal do representante dos advogados, ou seja, o dirigente da OA", brinca.
Todos os representantes contactados pelo DN são unânimes ao acusar Marinho e Pinto de "falar mal sem apresentar soluções", mostrando a sua "tendência para o populismo de baixo nível", acrescenta Paulo Rodrigues. O DN tentou contactar, sem êxito, Marinho e Pinto para obter uma reacção.|
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