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Agricultores ameaçam invadir ruas com tractores

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ILÍDIA PINTO e PAULA CARMO  

Crise. Depois dos pescadores e dos camionistas, os agricultores. Querem a duplicação do subsídio ao gasóleo verde, atendendo a que o preço também duplicou. E pedem condições para que a especulação acabe, permitindo que a agricultura seja rentável. Prometem ir também para a rua

CNA quer pôr fim à especulação nos preços

O Governo abriu uma verdadeira caixa de Pandora ao negociar com os pescadores e camionistas compensações por causa do aumento do preços dos combustíveis. Agora são os agricultores que ameaçam vir para a rua, exigindo que o subsídio ao gasóleo duplique, "tanto como subiram os preços do gasóleo".

"O Governo tem de nos ouvir. Queremos combustíveis mais baratos e gasóleo agrícola com maior desconto", reclama a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), especificando que o desconto sobre o gasóleo verde deverá passar dos actuais 37,2 cêntimos por litro para 75 cêntimos para compensar o agra- vamento dos preços.

Ontem de manhã, em Coimbra, ainda antes de entregar o "caderno de reclamações da agricultura familiar" a um assessor do gabinete do primeiro-ministro, João Dinis, dirigente da CNA, foi taxativo: "Se as nossas reivindicações não forem satisfeitas, seremos obrigados a fazer como em outras ocasiões: voltar à rua com as nossas máquinas agrícolas, apesar de estarmos numa época intensa de trabalho nos campos".

Alguns membros da CNA aguardaram a chegada de José Sócrates ao Instituto Pedro Nunes (incubadora de empresas da Universidade de Coimbra) mas não conseguiram chegar perto do chefe do Governo. Sócrates ignorou os protestos, mas não se livrou de ser assobiado.

Ao DN, João Dinis salientou algumas das principais reclamações da lista de 12 pontos que, espera, mereça a atenção do primeiro-ministro e do ministro da Agricultura, Jaime Silva. Desde a redução das contribuições para a Segurança Social -"mais altas do que em Espanha, quando os rendimentos são menores" -, à necessidade do Estado regularizar os reembolsos dos projectos de investimento nas explorações. E que o Ministério da Agricultura volte também a reembolsar até 40% do consumo de energia das explorações agrícolas - a chamada "electricidade verde" -, suspensa por este Governo.

A confederação, sediada em Coimbra, reclama ainda "uma intervenção a sério do Governo para impedir a especulação com os produtos agro-alimentares no consumo". João Dinis dá o exemplo da carne bovina, em que "um bezerro de três meses está a ser pago, à saída das explorações, a 250 euros, e o de um mês a 50 euros, ou seja, ao preço do cabrito", queixa-se. Já para não falar do leite, pago ao produtor a 35 cêntimos o litro e vendido a mais do dobro ao consumidor.

O ponto final na especulação estende-se ao sector dos combustíveis, onde "duas ou três empresas estão a dar cabo da vida dos portugueses e têm nos governantes [na sua inacção] os seus melhores administradores".

Por fim, a CNA pede que a agricultura e a alimentação sejam retirados da Organização Mundial do Comércio e que as ajudas ao sector, no âmbito da Política Agrícola Comum, voltem a estar ligadas à produção, embora moduladas (reduzidas por escalões) e com tectos máximos por agricultor. Uma forma de evitar pagar ajudas para não produzir.


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