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CRÓNICA DE UM JOGO QUE... NÃO VI

por

José Jourinho  

Dia intenso, o de ontem. Acordei cedo, quando aí ainda a noite de sábado estava no seu ponto alto e aqui o Sol de domingo começava a aparecer. Em Tóquio há mais oito horas do que em Lisboa e madruguei porque tinha de preparar os meus guerreiros para enfrentar os "samurais" de Nakata.

Foi um espectáculo lindo, com um estádio cheio com quase 65 mil almas para verem em acção figuras como Zé Maria, Aldair, Almeyda, Seedorf, Zamorano, Davids, Schillaci, Alenitchev e os "meus" Dacourt e Orlandoni. Acabámos empatados a dois golos, mas ganharam aqueles que por esse mundo fora não têm possibilidade de uma vida digna e muito em especial as crianças que, sobretudo em África, passam fome. E perante um propósito caritativo como este, não podia dizer não a Nakata, o organizador deste espectáculo de beneficência. Mais uma vez ficou provado que o futebol pode e deve ter um papel importante na sociedade.

Com esta introdução quero dizer que foi uma noite em branco, já que Portugal entrou em campo eram aqui quatro da manhã! Em branco duplamente. Porque, afinal, e contrariamente às nossas expectativas, minhas e do Rui Faria, as televisões japonesas ignoraram-nos e não transmitiram o jogo em directo, optando por muitos minutos de golfe, um dos desportos preferidos das elites nipónicas.

Não posso, por isso, comentar o que não vi, apesar de ter tido olhos que viram já muitos jogos para mim e nos quais confio inteiramente. Mas posso antever que a entrada de portugal neste Europeu não vai ser fácil.

Provavelmente entrara num 4x3x3, mas sem um defesa esquerdo de raiz e envolvimento nas acções ofensivas como era Nuno Valente, e quando um lateral não ataca, o adversário pode ser defensivamente menos largo, não precisar de bascular aos dois alas, e pode ser mais compacto na zona central, criando maiores dificuldades a quem ataca; entrara certamente sem o "relógio" Costinha, afastado uma época pelas lesões sucessivas, que ocupava espaços e abria linhas de passe e dava fluidez ao jogo; e sem Maniche (também de fora pelas razões conhecidas), um "motor" pela intensidade que dá ao jogo, quer em posse de bola quer em pressão sobre quem a tem. Prevejo, ainda assim, um Portugal elástico no modelo e espero que encontre a dinâmica que revelou nos últimos Mundial e Euro. Veremos que papel terá nisto Moutinho.

Sei que estamos a jogar com Simão, Ronaldo e Nuno Gomes. E temos ainda Quaresma e Nani e Hugo... E dizem-me que chegamos a zero ao intervalo, que estamos muito melhor do que os turcos em posse de bola, em determinação, mas um pouco lentos no meio campo... Que Pepe marcou um golo mal anulado. Espero que numa transição rápida ou num lance de bola parada não sejamos atraiçoados.

Espero pelos últimos 45 minutos e pelas informações do meu "olheiro". E digo cobras e lagartos das televisões japonesas.

Pepe marca, informam-me, e desta vez é para valer. E Raul Meireles confirma a vitória, uma vitória importantíssima e que pode lançar Portugal para um belo Europeu.

Desejo que assim seja e que eu, então, esteja a ver...


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