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LICÍNIO LIMA
Dia nasce no parque como se nada tivesse acontecido
"Isto, hoje, é uma brincadeira", diz- -nos Jorge Almeida, o responsável operacional da Câmara Municipal de Lisboa (CML) pela limpeza do parque da Bela Vista, onde decorre o Rock in Rio. Eram quase duas da manhã e o concerto Rod Stewart, no domingo, tinha terminado há pouco mais de uma hora. Todo o espaço em volta do Palco do Mundo, a tribuna principal, encontrava-se coberto de lixo. Mas, nem metade era comparado com o final do concerto de Amy Winhouse, na sexta-feira, em que foram recolhidas mais de 14 toneladas, observa o técnico municipal.
A noite está fria. Alguns varredores, poucos, vão juntando embalagens, enquanto os seguranças "expulsam" os últimos fãs Stewart. Um deles dirige-se a nós para se certificar quem somos. Estão por todo o lado. Quem quiser permanecer na Bela Vista, àquela hora, tem de se dirigir para o palco Electrónica, onde é possível "curtir" até às 04.00.
Tiago Salvado, 22 anos, agarrado a uma vassoura, garante-nos que por volta das 06.00 tudo estará novamente limpo. Nota, porém, que a assistência, naquela noite, foi "forreta". Nem uma moeda encontrou. O que já não é o caso de Cristina Fradique, 47 anos, já bafejada com 30 cêntimos. Enfim, quanto a "gorjas", foi uma noite má. A experiência de três dias no maior evento musical do mundo ajudou "a quebrar a rotina". Mas, a partir de hoje, os dois vão regressar às unidades de limpeza de origem. Voltam quinta-feira , assim como os restantes 161 colegas que, repartidos por três turnos, asseguraram a qualidade de vida 24 horas por dia naquele espaço arborizado e relvado com cerca de 200 mil metros quadrados, equivalente a cerca de 20 campos de futebol.
Pelas 25 chega um camião com sete máquinas sopradoras a que outros tantos homens logo deitam as mãos : três têm rodas, as outras quatro serão transportadas às costas. O lixo, composto sobretudo por copos e embalagens, começa a esvoaçar em direcções controladas. Depois, foi só apanhar, para o qual estava no terreno uma equipa de dez pessoas. João Sovelas, um experiente da limpeza urbana, vai coordenado, enquanto Jorge Almeida supervisiona. Por volta das três da manhã recolhe-se o lixo amontoado. O espaço em volta do Palco do Mundo está limpo.
A noite não terminara. No palco Electrónica, com um espaço em volta muito menor, ainda milhares de jovens se movem com sons metálicos. Mas, garante-nos Jorge Almeida, por volta da 7.00 só os camiões andarão a lavar o pavimento alcatroado. O trabalho é também facilitado pelos varredores que permanentemente, mesmo enquanto decorrem os concertos, percorrem o parque com pá e vassoura. Sempre que há um espaço livre recolhem o lixo que encontram. Às 8.00, o parque da Bela Vista está totalmente de cara lavada. Como se nada tivesse acontecido antes.
Tanta eficácia é também resultado da experiência acumulada nos dois anteriores eventos, recorda Fernando Santos, chefe de divisão da CML. "Por um mundo melhor" é o lema deste Rock in Rio que foi também tido em conta nesta operação, acrescentou o técnico da CML, Nuno Oliveira. Por isso, a equipa que conversou com o DN, antes de ir de madrugada para o terreno, era também integrada por uma técnica da sociedade Ponto Verde, Carina Delgado, com quem a CML trabalhou em parceria. Há um dado a assinalar, referiu Carina Delgado: no Rock in Rio, a maioria das pessoas colocava o lixo nos contentores, preocupando--se em escolher o sítio certo. Por um mundo melhor.
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