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JOÃO PEDRO HENRIQUES
PCP e facção do BE resistem a comício com Alegre
O evento foi convocado para unir várias esquerdas que têm andado desavindas. Mas a verdade é que, assim que se soube da sua existência, várias vozes se fizeram ouvir contestando a sua validade.
Hoje à noite, o comício-festa que juntará, no Teatro da Trindade, em Lisboa, Manuel Alegre, o Bloco de Esquerda, "renovadores" do PCP e outras esquerdas independentes (ex- -pintasilguistas, por exemplo) será tão marcado pelas presenças como pelas ausências.
O PCP fez imediatamente saber que não participaria. "Não se pode ter um pé cá e outro lá", disse Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, num aviso claramente dirigido a Manuel Alegre, que tem desmentido todas as alegações de que estará a preparar uma cisão do PS.
A direcção do PS também se afastou da iniciativa, considerando-a contra o partido e, através de Vitalino Canas, porta-voz, criticando a participação de Manuel Alegre. Ontem, falando à TSF, o deputado-poeta reagiu: "Muito antes de Vitalino saber o que era a política já eu lutava pela liberdade, já tinha sido preso por lutar pela liberdade." "Isso não tem importância nenhuma", disse, confrontado com as críticas do PS.
Mas não foi apenas no PSD e no PCP que surgiram as críticas.
Dentro do próprio Bloco de Esquerda - que é o principal motor organizativo do comício - surgiram sinais de distanciamento face à iniciativa. A "Esquerda nova", uma facção do partido de Francisco Louçã, emitiu um comunicado saudando a iniciativa na parte em que pretende, como diz o manifesto, "buscar os diálogos abertos e o sentido de responsabilidade democrática".
Contudo, assinalou que lhe parece "menos claro o enquadramento desta iniciativa no contexto da procura da maioria social de esquerda". Alegre é o alvo implícito na crítica: "Uma iniciativa como esta (...) não pode nunca tornar-se numa sessão do tipo palanque para o protagonismo de umas quantas individualidades de esquerda."
Ou seja, o seu propósito central deverá ser "a assunção pública da crítica ao Governo do PS" e às "políticas neoliberais do Governo de José Sócrates", que têm criado uma situação social "insustentável". A "Nova Esquerda" foi a facção que criticou fortemente no BE a celebração de um acordo em Lisboa com o PS. Forçou Louçã a rejeitar em absoluto entendimentos futuros com os socialistas, tanto autárquicos como legislativos.
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