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Os elevados rendimentos "desproporcionados" auferidos por altos dirigentes de empresas perante os salários médios dos seus trabalhadores voltou ontem a ser criticado pelo Presidente da República. "Este problema não diz apenas respeito ao mercado como alguns pretenderam aqui insistir no nosso País".
Ou seja, Cavaco Silva dava a indicação clara ao Governo que entende serem necessárias medidas capazes de pôr cobro a este problema para o qual já tinha alertado no seu discurso do 25 de Abril. Nessa altura chamou a atenção para as desigualdades sociais e lançou o roteiro sobre a exclusão social para mobilizar a sociedade e os poderes públicos para o combate a este fenómeno.
O chefe do Estado, que falava à margem do Congresso Internacional de Inovação Social, considerou que "neste momento este tema é uma preocupação quase generalizada dos países europeus, como disse o Presidente da Alemanha, porque as grandes desproporções entre rendimentos dos gestores e dos seus trabalhadores põem em causa a paz e a coesão social", declarou.
Para Cavaco Silva, sendo a coesão social uma preocupação dos Estados, então os governos devem tudo fazer pra evitar essas situações de crispação social.
"Anteontem, o Presidente do Banco Central Europeu falou de remunerações escandalosas de alguns gestores na Europa e pediu auto-contenção", disse, acrescentando que "outros tem vindo a defender tributações penalizadoras dos prémios dos gestores".
O gabinete do primeiro-ministro não quis comentar as palavras de Cavaco Silva. "Nunca fazemos comentários ao senhor Presidente", disse ao DN um dos assessores de José Sócrates. Tal como não houve qualquer reacção ao facto do Presidente ter afirmado que Portugal é "identificado como uma sociedade de profundas desigualdades sociais".
Considerou como "experiência inesquecível" a sua participação nas jornadas do Roteiro para a Inclusão Social e que serviu para alertar a sociedade portuguesa para as "situações de pobreza e exclusão social que ainda abundam no País e que a todos devem envergonhar".
Cavaco falou igualmente sobre o envelhecimento associado à pressão para a inactividade precoce, em especial a resultante do "recurso a reformas antecipadas ou desemprego de milhares de trabalhadores que não são muito novos para serem aposentados, mas já demasiado idosos para retomarem uma actividade profissional".
"O desperdício de capital humano é manifesto, mas a indignidade e a falta de respeito pela pessoa humana que ele revela torna-se intolerável", comentou o chefe do Estado.| Com LUSA
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