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UMA CRISE DE GERENTE ALEMÃO

por

Ferreira Fernandes  

Quando soube do supermercado a fazer racionamento de arroz, eu disse: "É alemão." Português é que não. Sabe-se para que se limita a venda de um produto: faz vender mais. Cria-se o medo de ir acabar, há filas de carrinho cheio ("ainda podemos levar dez pacotes..."), o boato aumenta e o produto esgota mesmo. Essa lei - soprando que a crise vem, a crise vem - é universal. E, aí, pelo método, o supermercado podia ser alemão ou português. Então, o que me fez desconfiar não ser português? O produto. Aquele racionamento era cirúrgico, de gerente alemão: arroz. Arroz tem lógica açambarcar, guarda-se na despensa. Um supermercado português que instigasse a compra desenfreada, escolhia o queijo fresco. Havia sempre quem enchesse o carrinho como, a 1 de cada mês, há sempre filas nas gasolineiras. Tal como não sabemos dividir por 30 dias a parte do salário destinada à gasolina, não sabemos que não se açambarcam produtos com curta validade. A alta economia não é connosco.|


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