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China dinamita lago para evitar inundação mortífera

por

HELENA TECEDEIRO  

A cidade de Beichuan foi a mais afectada pelo sismo que há duas semanas fez mais de 65 mil mortos e 23 mil desaparecidos na China. Agora os seus habitantes estão sob nova ameaça: um lago formado devido aos movimentos de terra que bloquearam o curso de um rio pode rebentar aquela barragem natural e inundar a cidade a qualquer momento, riscando de vez do mapa o local onde antes viviam 160 mil pessoas. Para o evitar, as autoridades chinesas preparavam-se ontem para dinamitar a zona de Tangjiashan, onde a mancha de água não pára de aumentar, tendo chegado a subir dois metros por dia, e ameaça 1,2 milhões de pessoas.

Ontem durante todo o dia, helicópteros transportaram para o lago peritos do exército chineses que levaram com eles dinamite e equipamento pesado. No local já se encontram 1800 soldados com 10 quilos de explosivos cada. Das 30 manchas de água provocadas pelo terramoto de 7.9 na escala de Richter que atingiu a China a 12 de Maio esta é a que mais preocupa as autoridades. O facto de as previsões meteorológicas preverem chuvas fortes para os próximos dias na província de Sichuan, a mais afectada pelo sismo, só contribui para reforçar os receios de inundações.

As autoridades chinesas já retiraram cem mil pessoas de Beichuan, mas alertam que, se a barragem natural criada pelo sismo ceder antes de ser dinamitada, poderá afectar 1,2 milhões de pessoas. Segundo a agência Xinhua, o lago de Tangjiashan continha ontem 128 milhões de metros cúbicos de água.

O vice-ministro dos Recursos Hídricos, E Jingping, garantiu que a situação está "sob controlo", mas deixou o alerta: o sismo causou danos em 69 barragens, algumas das quais podem mesmo ceder. Jingping disse ainda que os locais mais ameaçados já foram drenados. No dia em que anunciou que o balanço oficial de mortos subiu para 65 080, o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, admitiu que o número de vítimas pode subir até às "70 mil ou 80 mil".

No domingo, seis pessoas morreram quando uma réplica do sismo destruiu 300 mil casas em Sichuan, ferindo mais de mil pessoas. Esta foi a mais mortífera das réplicas que se fizeram sentir até agora.

Muitas vítimas do terramoto estão a viver em tendas e abrigos provisórios, o que levou a China a pedir ajuda internacional. Medicamentos, roupa e alimentos já começaram a chegar às populações mais afectadas, enviados pelo Japão, EUA e UE.

Mas nem tudo são más notícias. Um dos pandas que desaparecera da reserva de Wolong durante o sismo foi ontem encontrado vivo.|


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