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SUSETE FRANCISCO
Cavaco Silva ficou "branco como a cal" quando, em Junho de 2004, soube da partida do então primeiro-ministro, Durão Barroso, para a Comissão Europeia. "Mas isso significa entregar o País a Santana Lopes e a Paulo Portas...!", exclamou o agora Presidente da República.
A revelação é da jornalista Maria João Avillez, numa série de artigos sobre a história do PSD publicados, ao longo da última semana, nas páginas do Diário Económico. Um testemunho na primeira pessoa: a 21 de Junho de 2004, Avillez e Cavaco estavam num jantar em casa de amigos comuns, quando um dos presentes revelou o que o País só viria a saber oficialmente cinco dias depois. Que Durão Barroso, líder do executivo de coligação PSD/CDS, estava de saída para Bruxelas, substituindo Romano Prodi na Comissão Europeia.
"A estranheza de Cavaco era total, a aflição pior. Saiu dali subitamente envelhecido", revela a jornalista, acrescentando ter ainda testemunhado o "grau de total ignorância em que se encontrava o antigo primeiro-ministro sobre os ideiais europeus do seu antigo pupilo".
Na altura afastado da vida política - faltava ainda ano e meio para as eleições presidenciais que o levaram a Belém - Cavaco Silva nunca se pronunciou sobre a saída de Durão Barroso para Bruxelas, que levaria Santana Lopes à liderança do executivo.
O primeiro sinal público de Cavaco sobre a situação política do País chegaria vários meses depois, com um artigo publicado no semanário Expresso, em que apelava aos políticos competentes para afastarem os incompetentes. O famoso artigo que invocava a a Lei de Gresham - segundo a qual a má moeda tende a expulsar a boa - seria entendido como uma crítica à governação de então. E acabaria por preceder em poucos dias a decisão do Presidente da República, Jorge Sampaio, de dissolver a Assembleia e convocar eleições antecipadas.|
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