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CADA VEZ MAIS DIFERENTES E DISTANTES

por

CÉU NEVES e MÁRCIO ALVES CANDOSO  

Na Península Ibérica, os empregados têm mais instrução do que os patrões, sendo a disparidade maior em Portugal. Na Europa passa-se exactamente o contrário. Segundo um estudo dos institutos de estatística de Portugal e Espanha, há 14% de trabalhadores por conta de outrém portugueses, e 34% espanhóis, que concluíram um curso superior. Mas só 10% dos patrões lusos e 29% dos do país vizinho podem dizer o mesmo. Uma diferença que poderá ajudar a explicar os diferentes ritmos de desenvolvimento dos dois países.

O estudo "A Península Ibérica em números", com dados de 2005 e 2006, revela que é quase total a paridade entre patrões e empregados nos níveis intermédios de ensino. E, como é óbvio, há mais patrões com apenas o ensino básico do que empregados. Os empregadores espanhóis com o nível mais baixo de ensino são 45% do total. Em Portugal são 75%.

Mas na Europa é diferente. Se apenas 26% dos empregados têm um nível superior de instrução (o que coloca Espanha acima da média), já no que diz respeito a patrões são 32% Os empregadores com os mais baixos níveis de ensino representam apenas 24%, quando em Portugal são 75% e em Espanha 45%.

A instrução parece ser mais importante para as mulheres do que para os homens, já que as portuguesas estão em maioria no ensino superior (62,5%). Ocupamos o quinto lugar na UE ao nível da representação feminina no superior. Aliás, os homens são os maiores responsáveis pela taxa elevada de abandono escolar em Portugal. Os portugueses licenciam-se sobretudo em cursos das áreas da "Saúde e serviços sociais" e das "Ciências da educação", ao passo que os espanhóis preferem "Gestão e administração" e "Engenharia, indústria e construção".

Os portugueses ganham menos, trabalham até mais tarde e têm uma percentagem ligeiramente inferior da interrupção da actividade por problemas de saúde, 10,7% dos activos portugueses contra 11,8% dos espanhóis. E a população portuguesa paga mais pela saúde e pelos transportes. Só os acessórios para o lar são mais baratos.

As famílias portuguesas são ligeiramente mais pequenas que as espanholas, sendo que há uma maior percentagem de famílias monoparentais em Portugal (16,2% contra 14,2%). E, por cá, há mais nascimentos fora do casamento.

Há mais automóveis por 1000 habitantes em Portugal que em Espanha. O aeroporto de Lisboa é apenas o quinto mais importante da Península, no que diz respeito a número de passageiros, sendo que o do Porto nem consta da lista dos 12 primeiros. Existem mais telefones móveis em Portugal que em Espanha.

O custo de vida é ligeiramente superior no país vizinho, mas o PIB per capita dos espanhóis é de 22,2 mil euros, enquanto que o nacional não passa dos 14,7 mil.|


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