Publicidade
Diário de Notícias Diário de Notícias


sociedade

José ainda não aceitou a cirurgia que lhe pode devolver a cara

por

MARIA JOÃO CAETANO

VASCO NEVES (imagem)  

José Mestre está indeciso. Aos 51 anos, o homem de rosto deformado, que os lisboetas se habituaram a ver sentado pelos cantos no Rossio, recebeu uma proposta de um cirurgião inglês que quer operá-lo, prometendo libertá-lo do angioma que desde miúdo lhe invadiu a cara. Mais do que lhe restituir uma face, a operação permitirá a José melhorar a sua qualidade de vida, uma vez que poderá respirar convenientemente, falar, comer e ver. Ainda assim, José, testemunha de Jeová e homem de poucos recursos, habituado a passar os seus dias a ver quem passa junto ao Café Nicola, tem dúvidas e tem medo.

Tudo começou em Julho, quando José Mestre viajou a Londres a convite do canal de televisão Discovery, que realizou um documentário sobre ele. O programa, intitulado The Man With No Face, foi para o ar no passado dia 6, e, em vez de se limitar a contar a história de José, esforçou-se por encontrar uma solução para o seu caso. O canal contactou dois médicos famosos, Iain Hutchison, do Hospital St. Batholomew, e Loshan Kangesu, do Hospital Broomfield, e quis ouvir as suas opiniões.

Assim que viu José, Hutchison não hesitou em propor-lhe uma cirurgia inovadora e completamente à borla. "Não cobro muitas das cirurgias que faço. Eu já recebo o meu ordenado do Estado e posso dizer que não sou pobre, não ganho tanto quanto um jogador de futebol, mas ganho bem. E não há nada melhor do que curar uma pessoa. Poder ajudar os pacientes nesta situação é algo maravilhoso", conta o cirurgião numa conversa telefónica com o DN.

Para que a cirurgia se concretize, basta que José Mestre aceite e que arranje um patrocinador (público ou privado) que pague as viagens e o internamento.

José ainda não decidiu. E o médico, experiente, não consegue censurá-lo. "Ele está cansado e apreensivo. Não tem tido uma vida fácil. Já foi visto por outros médicos e passou por outros tratamentos que não resultaram. Porque é que há-de acreditar?" Além disso, existe um lado psicológico que não pode ser menorizado. Porque o rosto de cada um faz parte da sua personalidade e José Mestre viveu praticamente toda a sua vida com a cara deformada, cada vez mais deformada. Como reagirá a um rosto completamente novo (e que não terá nada a ver com a memória de si mesmo quando era adolescente)? O cirurgião acredita que José necessitará de ajuda psicológica, mas que será muito mais feliz sem a doença. "Até por motivos funcionais." José quase não consegue respirar, fala e come com dificuldade, só consegue ver de um olho. Em breve começará a sofrer de outras doenças associadas a esta condição.

"Já operei muitos outros pacientes com este problema, mas nunca tinha visto nenhuma lesão assim tão grande", confessa o médico, um dos maiores especialistas ingleses em cirurgia facial e fundador da Saving Faces, uma fundação que reúne 500 cirurgiões de todo o país com o objectivo de estimular a investigação nesta área.

"Mesmo que o José não faça a operação, já ganhou alguma coisa: ele, que nunca tinha saído do país, veio a Londres de comboio e voltou para Lisboa de avião. Foi uma aventura."|


ImprimirImprimirEnviar por EmailEnviar por Email
PartilharPartilhar


Siga-nos em
Especiais

Recuar
Avançar
PUBLICIDADE


RSS


PATROCÍNIO
sondagem

Inquérito DN

Quem tem mais culpas na má época do Sporting?

José Eduardo Bettencourt
Paulo Bento
Carlos Carvalhal
Pedro Barbosa
Sá Pinto
Os jogadores
Votar  Ver Resultados




Desporto

Todas as notícias

Todas as notícias

Portugal

Grande Entrevista

Grande Entrevista

Desporto

Inscreva-se

Inscreva-se

Cartaz

ESPECIAL ELVIS

ESPECIAL ELVIS




Diário de Notícias, 2009 © Todos os direitos reservados | Termos de Uso e Política de Privacidade | Ficha Técnica | Publicidade | Contactos