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HELENA TECEDEIRO
Organização acredita que os EUA torturam suspeitos de terrorismo
Martin Scheinin conheceu vários agentes da CIA na prisão da base americana de Guantánamo, em Cu-ba. E o relator especial da ONU para os direitos humanos não ficou satisfeito com a atitude dos agentes da CIA que lá conheceu. Quando teve conhecimento de que a agência secreta americana havia destruído os vídeos dos interrogatórios de suspeitos de terrorismo, o perito só reforçou a sua ideia de que "a CIA esteve e continua a estar envolvida em métodos de interrogatório que violam o princípio da proibição da tortura".
Usada desde 2002 como prisão para os suspeitos detidos no âmbito da guerra ao terrorismo, Guantánamo tem estado no centro da polémica devido a acusações de tortura. Depois de várias visitas à base, Scheinin disse à AFP não ter dúvidas sobre o comportamento dos agentes. "Os que participaram nas reuniões recusaram responder às minhas perguntas, o que só reforçou a minha ideia de que tinham algo a esconder", explicou o perito.
E as declarações do director da agência, ouvido na quarta-feira no Congresso, não ajudaram a esclarecer a actuação da CIA. Questionado pelos membros da Comissão dos Serviços Secretos da Câmara dos Representantes, Michael Hayden admitiu saber da existência dos vídeos, mas garantiu não ter sido informado da sua destruição. As imagens em questão mostram os interrogatórios de dois alegados membros da Al-Qaeda. Gravados em 2002 e destruídos três anos depois, os vídeos revelavam os métodos usados pelos agentes para obter confissões. Um deles é o "quase afogamento" em que os interrogadores atiram água à cara do prisioneiro, que está amarrado. Esta técnica é vista como tortura por associa- ções de defesa dos direitos humanos.
Quando a destruição dos vídeos veio a público, há cerca de uma semana, Hayden enviou uma mensagem aos funcionários da agência a explicar que esta tivera como objectivo "proteger a identidade dos agentes envolvidos" e "evitar fugas".
Na terça-feira, o ex-agente da CIA John Kiriakou justificou os métodos de interrogatório da agência. O homem que dirigiu o interrogatório de Abu Zubeida, um dirigente da Al- -Qaeda, garantiu à ABC que a técnica do quase afogamento fora aprovada pelos seus superiores.
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