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Canetas de prata e Porto de 1957 no Tratado de Lisboa

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CÉU NEVES  

Governantes dos 27 Estado vão de eléctrico para o Museu dos Coches

Os claustros do Museu de Jerónimos estão cobertos e decorados em azul e branco. Canetas, em prata, têm gravado Tratado de Lisboa . Uma para cada um dos 58 chefes de Estado e ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27 países assinarem dois livros: o Tratado de Lisboa e o Acto Final, com as adendas. Segue-se a foto de família e uma viagem de eléctrico até ao Museu dos Coches, onde Cavaco Silva oferece o almoço. Vão brindar com um Porto de 1957, ano em que foi assinado o Tratado de Roma, o texto de construção da Comunidade. À entrada do Mosteiro, ficarão duas placas: uma com o fac-símile dos subscritores do Tratado e outra alusiva à adesão de Portugal à UE, em 1985.

A cerimónia de assinatura do Tratado de Lisboa, hoje, às 11.35, foi preparada numa semana por um contigente de 250 pessoas e segundo todas as regras do protocolo, mas há sempre alterações de última hora. Por exemplo, o primeiro-ministro inglês, Gordon Brown, só virá mais tarde e para reunir com o homólogo português. Em contrapartida, a França, a Lituânia, a Letónia, a Roménia e a Polónia representam-se pelo presidente da República, além do primeiro-ministro e do ministro dos Negócios Estrangeiros. É, por isso, que o Tratado de Lisboa terá 58 e não 54 assinaturas, duas por cada um dos 27. O presidente da Polónia não assina.

O Hino da Alegria é a melodia escolhida para dar início à cerimónia. As vozes dos Pequenos Cantores da Academia de Amadores de Música vão testar as capacidades acústicas dos claustros do Mosteiro dos Jerónimos, cuja construção foi concluída em 1544 para celebrar os Descobrimentos. E antes da cerimónia acabar, outra voz irá beneficiar do mesmo espaço, Dulce Pontes com a Canção do Mar e Amor Portugal. Diz quem assistiu aos ensaios que são momentos de arrepiar.

No palco, em branco e com duas filas de cadeiras, irão sentar-se os chefes de Estado e do Governo por ordem alfabética, além dos presidentes da Comissão Europeia e do Parlamento Europeu. Estão de costas voltadas para um ecrã gigante, onde irão desfraldar a bandeira da União Europeia e cada uma dos 27 países à medida que uma voz off apresenta a respectiva nação, primeiro em português e depois na língua original. O próprio púlpito funciona como um receptor de imagens da Comunidade Europeia. Os dois livros do Tratado serão levados por Philip Evans, o "guardião" dos tratados europeus (ver caixa), para assinar.

Isto, depois das intervenções de José Manuel Barroso, Hans-Gert Potterring (presidente do Parlamento Europeu) e de José Sócrates. A foto de família está marcada para as 13.15.

A cerimónia conta com 447 convidados, sendo que as primeiras filas estão reservadas aos actuais membros do Governo português e antigos dirigentes do País. Estão creditados 600 jornalistas, que irão almoçar no Mosteiro dos Jerónimos.

Pelas 13.30, prevê-se que tudo acabe. E o Executivo português poderá respirar de alívio já que conseguiu levar a cabo "a prioridade das prioridades" da presidência portuguesa, que termina dia 31. Mas o texto terá de ser posteriormente ratificado por cada um dos 27 países, por via parlamentar ou referendária.


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