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MANUEL CARLOS FREIRE
Entrevista com Luís Evangelista de Araújo, Chefe do Estado-Maior da Força Aérea
Quando iniciou funções, mandou rever toda a organização do ra-mo. Já há conclusões?
Há coisa de um ano mandei reestruturar a macroestrutura e o dispositivo. A macroestrutura será implementada durante o primeiro trimestre de 2008. No dispositivo, a grande alteração tem a ver com a transferência dos [aviões de vigilância] P3 para Beja, com a sua saída do Montijo devido à entrada dos [aviões de transporte] C-295 no primeiro trimestre do próximo ano.
Haverá redução de efectivos?
Não vão diminuir nem aumentar. A Força Aérea Portuguesa [FAP] tem feito reestruturações desde o fim da guerra no Ultramar, não vamos diminuir porque já diminuímos tudo. A nossa reestruturação tem sido um contínuo: de 1995 até 2006 reduzimos 35% de pessoal e continuamos a cumprir as missões. A FAP não precisa de ser reestruturada. E não precisamos de mais do que dos cerca de 9000 militares e civis que temos.
Mas o chefe do Estado-Maior-General disse recentemente que a FAP tinha de se reestruturar.
O que estamos a fazer são ajustamentos, pelas circunstâncias. Não se pode reestruturar o que está reestruturado.
Quais são as suas prioridades para 2008?
Tenho três objectivos: primeiro, temos de aumentar a prontidão dos aviões, de ter mais aviões na linha da frente; segundo, manter e aprofundar as condições de trabalho e bem--estar das pessoas; terceiro, consolidar, pôr a funcionar a mudança.
A FAP vive há mais de uma década com falta de pilotos.
Já foi aprovado o aumento do tempo necessário sem pagar indemnizações, de oito para 12 anos. Aumentámos 50%. Mas se essa é a solução, vamos passar para 40 anos. É evidente que é preciso haver outras medidas. Temos, de forma lenta e progressiva, de aproximar os suplementos dos pilotos daqueles que se pagam na aviação civil. Não queremos ganhar como um comandante da TAP, pois estar aqui também é uma questão de fé, de amor, como os sacerdotes. Os padres não ganham muito dinheiro, mas não vão para co-pilotos. Agora, há outras questões que têm a ver com a condição militar: posso ganhar menos mas tenho uma reserva, uma reforma, uma assistência para mim e para a minha família. Agora, que tudo está em causa, isso dá-me insegurança. Ganho pouco e o que é mais importante na minha velhice está ameaçado?
O Instituto de Estudos Superiores Militares (IESM) continua a suscitar reservas da FAP. Porquê?
Temos de fazer o possível para que o IESM seja efectivamente integrado. Foi um erro terrível o seu primeiro director não ser da Marinha ou da FAP para dar - não está em causa a pessoa [o actual comandante do Exército] que lá ficou - o sinal de que era integrado. Se lá for, há muito mais fardas cinzentas do que brancas e azuis. Não aceito hegemonias. Não há hegemonias, há antiguidades [Marinha, Exército, FAP]. Hegemonias, não, reajo violentamente.
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