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Menezes preocupado com o futuro da RTP

por

PAULA CARMO  

Luís Filipe Menezes, o líder do principal partido da oposição, está preocupado com a substituição da administração do canal público de televisão, temendo a sua eventual gover- namentalização.

Discursando, durante 45 minutos, num jantar que juntou perto de 450 militantes e autarcas do partido do concelho de Cantanhede, o presidente do PSD queixou-se do tratamento da estação pública, contestando que exista "um dirigente socialista nacional sempre a fazer a leitura política da semana e não se dê a possibilidade de um dirigente nacional do PSD" de fazer idêntico papel. "Isto tem de mudar na televisão pública", assinalou Menezes, dizendo que este programa [as "Notas Soltas", de António Vitorino] "é um patamar da propaganda do Governo".

Ao reportar-se, em concreto, sobre a substituição da administração da RTP, Luís Filipe Menezes estranhou não haver um reconhecimento público por parte do Executivo liderado por José Sócrates quanto à equipa que agora deixou de comandar os destinos da RTP: "Por obter resultados de gestão tão positivos, gostaria que houvesse humildade do engenheiro José Sócrates em vir elogiar uma medida do Governo PSD, a de reestruturação da RTP, do trabalho desta administração nomeada PSD, que saneou financeiramente a empresa, deu-lhe um património que lhe deu um enquadramento do ponto de vista logístico-organizacional".

E de seguida, em jeito de pergunta retórica, questionou: "Não haverá nenhum [administrador] da anterior equipa que tenha qualidade para continuar?" Perante esta realidade, Menezes foi contundente. "O que está a acontecer é a voracidade habitual do PS pelos lugares públicos, nomeadamente quando esses lugares podem significar o controlo de um meio de comunicação fundamental para vencer eleições em 2009", alertou. "Nós estamos atentos e denunciaremos tudo aquilo a que vier a resvalar no sentido errado. Nós acreditamos nos jornalistas." Disse ainda: "Não estou descontente com os telejornais da estação pública no essencial, mas nota-se uma coisa curiosa, quando o PSD sobe nas sondagens na semana a seguir desaparece da estação pública. Quando o líder do PSD faz mais ataques sobre a política sectorial aparece no minuto 47 dos telejornais."

Também inaceitável "do ponto de vista ético" para Menezes é que "o ministro mais político do Governo, que faz tantos ataques ao líder da oposição, seja aquele que tem a tutela da comunicação social e também da televisão pública". |


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