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por
CADI FERNANDES
Entrevista. Amem-na ou odeiem-na. Vicki Goldberg, gargalhada sempre pronta, é uma das críticas fotográficas mais conhecidas, senão a mais conhecida, dos EUA. Dedica-se há duas décadas e meia à paixão pelas imagens. Tem uma ampla obra publicada em vários países. O DN entrevistou-a em Lisboa
Fotografia é uma arte?
Para mim, não é importante que lhe chamem arte ou não. Eu adoro fotografia. Desde a década de 70, quando ainda quase ninguém fazia crítica fotográfica.
E o fotojornalismo?
Escrevi um livro sobre isso, intitulado O Poder da Fotografia - Como as Fotografias Mudaram as Nossas Vidas. Foi em 1991, mas continua a ser regularmente reeditado. Guerras, eleições, reformas sociais, tudo o que o fotojornalismo capta faz parte das nossas vidas e não tem necessariamente de ser arte, basta ser verdade.
Também fotografa esse tipo de acontecimentos?
Não conseguiria fazer duas coisas bem ao mesmo tempo, portanto prefiro elogiar - e criticar, se necessário - o trabalho dos outros.
Photoshop: o que pensa desta técnica que, em algum tipo de fotografia, se tornou quase básica? No fotojornalismo, por exemplo, "retocar" as imagens para se obter este ou aquele efeito...
Fotojornalismo não é definitivamente a mesma coisa que arte fotográfica, independentemente de ser artístico ou não. Por isso, penso que a característica principal do fotojornalismo deve ser o grau de confiança que inspira em quem a vê. Uma imagem publicada numa revista ou num jornal deve ser fiável. Daí a necessidade sentida pelos bons media - que ainda os há - de impor regras nesta área...
Para que não aconteça como, em Agosto de 2006, durante a guerra do Líbano, quando a Reuters publicou uma imagem de Beirute cheia de fumo, tirada pelo freelancer Adnan Hajj, mas que veio a descobrir-se que passou primeiro pelo Photoshop?
Sim, mas esse homem foi despedido e a agência retirou centenas de fotografias suas que tinha em arquivo. E muito correctamente, na minha opinião. Porque se não confiamos nas notícias, em quê iremos confiar? Onde estamos, afinal? Já se pode inventar tudo, nesse caso.
E quando são as próprias agências noticiosas a pressionar os profissionais da imagem, exigindo-lhes sempre mais?
Isso não é de agora, faz-me lembrar aquela história de 1898, durante a guerra americano-espanhola, quando o fotógrafo Richard Hardy Davis foi enviado especial e depois informou 'volto para casa, não há guerra nenhuma'. Então, o director William Randolph Hearst escreveu-lhe o seguinte: 'Mande as fotografias que eu trato da guerra.'.Foi o que ele fez. Serve isto para dizer que esse ramo do jornalismo tem uma grande responsabilidade: o compromisso com a verdade. Mas nem é preciso recorrer ao Photoshop para, eventualmente, adulterar o que vemos. Tiramos uma fotografia, não fazemos acrescentos nenhuns, mas podemos ter a tendência de só mostrar aspectos positivos ou negativos de uma dada situação.
Aceita a censura a priori que consiste no hábito de os famosos só aceitarem a publicação de imagens suas retocadas?
Não tenho muito a ver com celebridades (risos)... Quando Elizabeth Taylor apareceu a publicitar um perfume, há uns anos, a cara parecia a de uma criança de quatro anos, parecia que estava assim há anos e anos... Mas isto faz parte do mundo da moda e da publicidade. Penso que as pessoas sabem disso e aceitam. Até porque ninguém está à espera de algo diferente. Tudo depende do sítio onde se publica. Mas com notícias é diferente. Se uma fotografia é publicada na primeira página do New York Times é bom que seja verdade, fiável. Se é publicada num tablóide, daqueles que costumam inventar notícias, que diferença faz? Há muitos anos, um desses jornais tinha uma manchete a dizer "russos aterram na Lua" e a fotografia era um avião na Lua. Ora, o avião era quase tão grande como a Lua (risos). Ninguém com um mínimo de juízo acreditou que aquilo era real. |
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