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ANA MAFALDA INÁCIO, ANA TOMÁS RIBEIRO e PATRÍCIA VIEGAS
Os primeiros a chegar foram os manifestantes pró-Kadhafi e concentraram à frente da sala de imprensa, na FIL, conforme combinado com a Embaixada da Líbia. Queriam ver e aplaudir o líder líbio, mas os agentes da PSP tiveram de os acompanhar até à Gare do Oriente, o palco dos protestos que decorreram ao longo do primeiro dia da cimeira, a favor e contra os vários líderes africanos que participam na cimeira UE-África. A responsável pela acção, Sofia Malu, garante ao DN que ninguém recebeu dinheiro para ali estar. A mesma certeza já não tem o guineense Idriss Cassamé: "Ouvi dizer que a embaixada da Líbia poderia dar alguma coisa, mas ainda não vi nada, pelo menos nas minhas mãos".
A confusão só começou já a meio da manhã, quando, determinado, Peter Horsman, um britânico expoliado do Zimbabwe, a residir em Faro, entra pela manifestação de apoio a Mugabe a dentro com um cartaz que classifica o líder africano como ditador e déspota. "Abaixo Bush e Brown", gritam uns, "isto é Portugal, aqui há liberdade de expressão, vai mas é para a tua terra, vai para o Zimbabwe", respondem outros. "Viemos aqui sensibilizar as pessoas para o facto de ser inadmissível a presença de um ditador como Mugabe, um homem que não respeita os direitos humanos, como se faz na Europa", disse ao DN o presidente da Causa Identitária, Diogo Canavarro, justifi- cando-se. Um cordão policial de cada um dos lados dos protestos abria caminho para quem por ali passava em direcção ao metro ou ao comboio, alguns que paravam para observar, e ainda os manifestantes contra a violação dos direitos humanos no enclave de Cabinda, em Angola e activistas dos direitos humanos.
À tarde, quando os manifestantes pró Mugabe e Kahafi já tinham desaparecido, surgem quatro angolanos apenas com apitos empolando cartazes que diziam"Angola não é o país da mãe Joana", "Angola: Eleições já". Gritavam bem alto: "Viva Angola, abaixo a ditadura, abaixo os corruptos". Isto enquanto os resistentes masnifestantes contra Mugabe, continuavam a dançar e a cantar. Só quando já não havia luz é que desapareceram, assim como os de Cabinda. Estes preparam-se para entregar amanhã ao primeiro-ministro português uma carta a apelar para que Sócrates seja mediador de uma solução naquela região de Angola.|
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