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'Videoclip' faz apologia da violência armada

por

ALFREDO TEIXEIRA e MARCOS CRUZ  

A Polícia Judiciária (PJ) está a analisar o vídeo Vale Tudo da banda rap Bandidos, disponível no YouTube, onde surge um dos suspeitos da morte do segurança Ilídio Correia, abatido a tiro na passada quinta-feira na Rua de Miragaia, Porto.

O vídeo é exemplificativo da forma como este grupo de jovens encara a vida em sociedade. Disparos de armas, ruídos de motores, carros topo de gama, graffiti nas paredes e um motoquatro a fazer peões. Juntam-se pistolas no ar, um grupo de crianças, um cão de raça pitbull e palavras de ordem contra a polícia e gerentes de discotecas, numa apologia ao que é um verdadeiro "bandido", que não se distingue pelos brincos que usa nem pelas cobranças difíceis, mas pelas armas que utiliza, "de calibre 22, 38 e até mísseis".

Por três vezes, um Porsche Boxster cinzento--metalizado percorre o ecrã ao som do rap da banda, constituída por alguns jovens da zona da Ribeira e da Sé e já com algum culto no meio. Segundo as autoridades, a viatura está referenciada e pertence a um dos três suspeitos da morte do segurança de Miragaia, daí os fotogramas estarem a ser minuciosamente visionados na PJ do Porto.

Ao que o DN apurou, esta viatura, avaliada em mais de 83 mil euros, já terá sido vendida e o suspeito, que alegadamente lidera o grupo de seguranças da Ribeira, terá fugido com a família para o Brasil. Este destino poderá também ter sido escolhido pelos outros dois suspeitos, uma vez que a PJ continua sem saber o seu paradeiro.

A família de Ilídio Correia continua a colaborar com a polícia, no sentido de se encontrarem o mais rapidamente possível os responsáveis pela morte do segurança. No entanto, tem sido aconselhada a não falar com a comunicação social de forma a não prejudicar a investigação. O clima vivido na zona de Miragaia não voltou a ser o mesmo após a morte de Ilídio, até porque, como afirmam as autoridades, o alvo a abater era Natalino, irmão da vítima, com quem o grupo rival da Ribeira se envolveu variadas vezes nos últimos meses em cenas de agressão e tiroteio.

A violência que caracteriza a relação entre estes grupos deriva da necessidade de marcação de território e de uma vontade de controlar a segurança dos estabelecimentos nocturnos da cidade e negócios ilícitos paralelos.

Aleixo, Cerco, Fontainhas, Sé ou Contumil são alguns exemplos de bairros problemáticos do Porto onde, de há cerca de dois anos a esta parte - tempo que leva o fenómeno - têm aparecido crews (formações alargadas) de hip hop. A música, mais do que prestar homenagem aos estetas e factos artísticos que fizeram a história do género, na maior parte dos casos serve letras de afirmação pessoal e/ou comunitária, onde cada autor/grupo fala da realidade do seu bairro, mostra que controla a zona em que ele se insere, revela destemor pelo o que o rodeia e contesta a autoridade policial. Entre essas crews impera o respeito, assente na ideia de que todas estão a exprimir realidades que, embora relativas ao seu bairro, se tocam no aspecto maior de reflectirem um quadro social comum. E é justo sublinhar que, até hoje, por mais sugestivas e impressionantes que sejam algumas letras, as quezílias entre projectos de hip hop se têm resolvido verbalmente - rima insultuosa para cá, rima insultuosa para lá. |


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