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ANA TOMÁS RIBEIRO, ANA MAFALDA INÁCIO e JOÃO PEDRO HENRIQUES
O programa do coronel Kadhafi em Portugal vai prolongar-se para além do estritamente necessário à cimeira UE--África, podendo só abandonar Lisboa na terça-feira. Motivos políticos e económicos estão na base da decisão desta estada mais alargada. A delegação líbia irá receber um conjunto de empresas portuguesas, entre as quais a Galp, Cimpor e Visabeira, para discutir negócios.
O chefe líbio deverá chegar amanhã, pelas 11.30, ao Aeroporto de Figo Maduro, em Lisboa, iniciando a sua visita oficial com uma reunião na residência do primeiro-ministro, em São Bento, já que a cimeira decorrerá a partir de sexta-feira à tarde.
O Chefe do Estado líbio, cujas exigências obrigaram à montagem de uma tenda no Forte de São Julião da Barra, em Oeiras, trará uma delegação de quase 200 pessoas, que chegarão a Lisboa em dois aviões, durante o dia de amanhã. Kadhafi jantará amanhã em São Bento com José Sócrates e no dia seguinte dará uma conferência de imprensa na Reitoria da Universidade Clássica de Lisboa e reunirá com mulheres.
No entanto, esta agenda é toda na base do provável visto que, como avançou ao DN uma fonte empresarial ligada à preparação da visita, "ele [Khadafi] é muito imprevisível". Fonte diplomática adiantou que Kadhafi tem previstos "encontros com empresários, mulheres e jornalistas". Caso a estada seja prolongada até terça-feira, desconhecem-se encontros que poderá ter nos últimos dois dias. Fonte ligada à preparação da visita referiu ao DN que Kadhafi irá descansar e receber amigos até partir para Espanha.
Na área dos negócios, algumas empresas portuguesas poderão ter o privilégio de se reunir individualmente com o presidente da Líbia, e outras terão um encontro colectivo com o ministro da cooperação daquele País, adiantaram fontes empresariais. Entre elas estão a Teixeira Duarte, Cimpor, Galp e Visabeira. Um encontro que vai permitir ainda o contacto com congéneres líbias. Fontes da Cimpor, Galp e Visabeira, confirmaram esta reunião com o ministro da Cooperação. A Teixeira Duarte, também contactada, não respondeu. Paulo Varela, presidente da Visabeira Telecomunicações, diz que o grupo está interessado em investir nos sectores das telecomunicações e da electricidade naquele mercado e admitiu que além do encontro com o ministro da Cooperação, está a tentar ser recebido pelo próprio Kadhafi. Da Cimpor, fonte oficial adiantou que esta quer expandir-se para aquele país, uma vez que já está noutros países do Magrebe, e esta é uma oportunidade para estabelecer contactos. Fonte da Galp revelou que a petrolífera já tem vindo a desenvolver vários contactos com aquele país e que este é mais um passo no desenvolvimento de relações. Do lado da Líbia também há interesse em atrair investimentos nacionais. O país quer reduzir a sua dependência em relação aos investimentos de origem italiana e este é o momento para o fazer, explicaram fontes empresariais. Também por isso as empresas portuguesas são bem-vindas. Aliás, esta foi uma mensagem deixada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros da Líbia, num encontro que teve há cerca de dois meses em Lisboa com o presidente da AIP - Associação Industrial Portuguesa, Rocha de Matos. Contactado pelo DN, este responsável confirmou que o governante líbio manifestou o interesse em ter empresas portuguesas a participar no desenvolvimento, sobretudo infra-estruturas.
Entretanto, o Governo líbio começou a preparar a visita a Lisboa com publicidade paga nos jornais. Um anúncio propagandeando um site oficial do Chefe do Estado líbio (www.algathafi.org) onde se defende, por exemplo, a revisão da Convenção de Otava (em favor das minas terrestres, que "são o meio de autodefesa dos pobres") e ainda a "ilegalidade do Tribunal Criminal Internacional". |
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