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FRANCISCO ALMEIDA LEITE
Dois dos dossiers mais quentes em África - o drama humanitário do Darfur e a questão do Zimbabwe - serão mantidos à margem da agenda oficial da cimeira UE-África, convocado para o próximo domingo e segunda-feira (8 e 9) no Pavilhão Atlântico. A novidade foi ontem avançada ao DN por fonte da presidência portuguesa da UE. O mesmo interlocutor adiantou, porém, a certeza de que esses temas passarão pelas discussões, só que forma informal e lateral aos tópicos oficiais da agenda.
No Darfur o que está em causa é a segurança de milhares de refugiados desta região (oeste do Sudão) que fugiram para o vizinho Chade e para a República Centro-Africana.
Quanto ao Zimbabwe, o problema principal é de graves violações dos direitos humanos, para além da expulsão dos anglo-descendentes (o Zimbabwe é uma ex-colónia britânica). A presença do Presidente Mugabe na cimeira levou o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, a recusar comparecer.
A situação no Zimbabwe será o tema principal de uma concentração pacífica junto ao Pavilhão Atlântico. A organização cabe à Associação de Defesa dos Direitos Humanos (ADDHU), estando prevista a presença de 30 elementos da Vigial Zimbabué no Reino Unido, organização que há cinco anos realiza, todos os sábados, uma manifestação junto à embaixada do Zimbabwe em Londres.
A iniciativa conta ainda com membros de associações do Reino Unido e Alemanha, além de um deputado do Reino Unido e outro da Suécia, que participam na concentração a título pessoal.
A presidente da ADDHU, Laura Vasconcelos, disse à agência Lusa que o protesto é apenas uma "concentração de repúdio" pela violação dos direitos humanos e pela acção do presidente do país, Robert Mugabe.
"Pareceu-nos oportuno informar e movimentar a sociedade civil no momento em que o Presidente Mugabe se desloca" a Lisboa para participar na cimeira UE/África, salientou. A activista adiantou que a ADDHU não tem como objectivo posicionar-se contra a presença de Robert Mugabe, mas sim "manifestar- -se contra as violações dos direitos humanos que têm lugar naquele país".
Laura Vasconcelos disse ainda que durante a concentração serão distribuídos à população panfletos para dar a conhecer o que se passa naquele país.
"Cobardia", dizem escritores
Escritores europeus e africanos, incluindo cinco prémios Nobel, acusam os líderes dos dois continentes de "cobardia" por evitarem abordar na cimeira as crises no Zimbabwe e no Darfur.
"Porque devemos ouvir os poderosos quando estes não ouvem os gritos dos que sofrem? Milhões de africanos e europeus esperariam que o Zimbabwe e o Darfur estivessem no topo da agenda", afirmam os 17 subscritores da carta, enviada a todos os chefes de Estado e de Governo que irão estar presentes na cimeira. "Ainda não é demasiado tarde" para incluir as duas crises na agenda.
Entre os subscritores constam cinco prémios Nobel da Literatura: os europeus Günter Grass e Dario Fo, e, do lado africano, Nadine Gordimer, John Coetzee e Wole Soyinka. José Gil é o único português signatário, num rol em que aparece também o moçambicano Mia Couto. "Que podemos dizer desta cobardia política?", interrogam.|
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