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O Bloco de Esquerda vai levar amanhã a votação, na Assembleia da República, um voto de repúdio a declarações do embaixador dos Estados Unidos em Portugal. O BE acusa Alfred Hoffman de fazer considerações públicas que constituem uma "ingerência contra a soberania democrática do povo português".
No documento, entregue ontem na mesa da AR, os bloquistas sustentam que Hoffman "tem produzido frequentes declarações sobre assuntos da vida política portuguesa" - numa "pouco comum desconsideração pelas regras da diplomacia internacional. " Exemplo disso, aponta o BE, são afirmações feitas ao DN no início de Novembro, em que o embaixador norte-americano afirma que "Portugal tem de reduzir a burocracia e actualizar as leis laborais. Só assim o País pode ser mais competitivo". Uma referência à lei do trabalho portuguesa, "cuja elaboração compete ao Parlamento", refere o documento elaborados pelos bloquistas.
Que não fica por aqui. O BE cita uma entrevista ao Diário Económico para sublinhar que "o mesmo embaixador decidiu condenar uma empresa portuguesa [a Galp] pelo facto de estabelecer acordos de negócios com a Venezuela " - e isto "apesar de os EUA procederem da mesma forma." O voto condena ainda um comentário à visita do presidente venezuelano a Portugal, em que Hoffman diz que "parece que a Espanha e EUA estão na lista do Diabo e Portugal está na lista dos abraçados".
E a lista continua. No dia imediatamente a seguir, o representante diplomático "decidiu pronunciar-se sobre uma decisão do Governo a cerca do planeamento da distribuição de forças militares". E "na mesma oportunidade", acrescentou que "[não ficou completamente surpreendido, uma vez que os líderes europeus parecem mais intimidados com as sondagens do que determinados a convencer as suas opiniões públicas da importância da luta no Afeganistão". Declarações que o BE quer ver repudiadas pelos deputados à AR.|-S.F.
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