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por
MANUEL CARLOS FREIRE
ORLANDO ALMEIDA (imagem)
O embaixador dos EUA em Lisboa criticou ontem, em termos nada diplomáticos, a decisão do Estado português de reduzir a sua presença militar no Afeganistão.
"Fiquei profundamente preocupado quando soube dos planos de Portugal para reduzir os seus esforços em prol da jovem democracia afegã", declarou Alfred Hoffman, acrescentando: "Mas não posso dizer que fiquei completamente surpreendido, uma vez que os líderes europeus parecem mais intimidados com as sondagens do que determinados a convencer as suas opiniões públicas da importância da luta no Afeganistão."
As declarações do diplomata norte-americano, feitas no almoço promovido pela Associação de Amizade Portugal-EUA e citadas pela Lusa, repetiam as afirmações constantes da sua entrevista ao Jornal de Negócios publicada ontem. Alfred Hoffman Jr., que apresentou cartas credenciais ao então presidente da República Jorge Sampaio a 30 de Novembro de 2005, deixa Lisboa no próximo sábado, cessando funções um ano antes dos três que normalmente duram os mandatos dos embaixadores.
Fontes dos meios diplomáticos ouvidas pelo DN desvalorizaram as posições assumidas por Alfred Hoffman, um embaixador político "sem influência" e cujos dois anos em Portugal se revelaram "um fracasso" - visível na antecipação do seu regresso a Washington e ao não ter conseguido (como assumiu o próprio embaixador na referida entrevista de ontem) cumprir os seus objectivos.
Decisão soberana
A decisão portuguesa de reduzir o seu contingente militar em Cabul foi anunciada pelo ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira, em finais de Outubro e no final de uma audiência com a Comissão Parlamentar de Defesa: Lisboa retira, em Agosto de 2008, a companhia de forças especiais (uma centena e meia de militares) que ali actua desde 2004, substituindo-a por uma equipa de formação de militares afegãos e por um avião de transporte Hercules C-130 (menos de 50 efectivos).
Fonte oficial do Ministério da Defesa disse ontem ao DN que "não há alteração do tipo de participação [nem] redução de esforços" militares no Afeganistão. "Continua a haver um grande esforço", nomeadamente "em termos orçamentais", acrescentou a fonte. Este ponto já fora focado pelo próprio governante, ao referir que as verbas para as missões no exterior não vão diminuir em 2008 - mas esse efeito deverá reflectir-se no Orçamento do Estado para 2009, se Portugal não enviar novos destacamentos para o exterior.
O ministro adiantou, na altura, que a decisão fora aprovada, em Julho, pelo Conselho Superior de Defesa Nacional, órgão presidido pelo Chefe do Estado e comandante supremo das Forças Armadas, Cavaco Silva. Mas, à Lusa, Hoffman disse compreender a mudança no tipo de missão dos militares portugueses - "a minha expectativa é que, quando decidirem substituir o contingente que têm, o substituam com um empenho equivalente de forças que permita preencher as necessidades no terreno, quer seja para operações de combate quer para a reconstrução do país", acrescentou.
Belém não tomou posição e o Ministério dos Negócios Estrangeiros escusou-se a comentar as declarações de Hoffman, que na semana passada criticara os negócios da petrolífera portuguesa Galp com a Venezuela e a recepção de Chávez por Sócrates. Sobre o Afeganistão, aquele embaixador disse ainda que "virar as costas aos afegãos neste momento da sua luta será o mesmo que abandoná-los, assim como aos nossos princípios e à nossa própria segurança".|Com J.P.H.
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