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ABEL COELHO DE MORAIS
Chefe do Governo cessante sofre dupla derrota pessoal
O Partido Trabalhista australiano, dirigido por Kevin Rudd, obteve uma vitória expressiva nas eleições legislativas de ontem, recolhendo 53% dos votos contra 47% para a coligação de liberais e conservadores dirigida pelo chefe do Governo cessante, John Howard.
Estes números dão aos trabalhistas 86 dos 150 lugares do Parlamento, mais dez do que o necessário para a maioria absoluta. A coligação de Howard fica-se por 62 lugares quando teve 86 nas anteriores legislativas. Howard sofre uma dupla derrota pessoal, tornando-se o segundo chefe do Governo da Austrália que perde, em paralelo com as eleições nacionais, o lugar de deputado.
A vitória de Rudd assinala, além da mudança de partido no Governo, uma mudança de geração na política australiana e ainda a alteração significativa de políticas. Os trabalhistas regressam ao poder após a hegemonia de Howard ao longo de uma década, sendo a geração deste, hoje com 68 anos, substituída pela faixa etária dos 50, em que Rudd se situa.
No campo das políticas, à defesa de estratégias liberais na economia, à recusa de subscrever o Protocolo de Quioto e ao alinhamento quase incondicional com a Administração Bush, vai suceder-se a preocupação acrescida com as políticas sociais, maior atenção às políticas multiculturalistas -a Austrália é uma sociedade pluriétnica e pluricultural -, a adesão a Quioto e um prudente distanciamento face a Washington na guerra ao terrorismo e no Iraque.
Um dos argumentos de Rudd durante a campanha para justificar o voto nos trabalhistas foi o de lembrar a promessa de Howard de que este deixaria o Governo a meio da legislatura - "então para que é que vamos votar nele?", perguntava o primeiro. Os australianos deram-lhe ontem razão. Com agências
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